Torturantes, “PORQUES”
Não é verdade que a “bênção” de Deus é a mesma coisa que felicidade, que a ajuda de Deus consiste simplesmente em curar, recuperar, restabelecer. A vida de muitos crentes sofredores e atormentados mostra que não é assim. São conselheiros miseráveis e desprezíveis os que logo descobrem um castigo em qualquer sofrimento e começam a investigar pecados. São piores que os amigos de Jó. Porque existe o sofrimento próprio justamente da pessoa fiel, da pessoa crente.
Israel passou por uma experiência dura. O rei Josias, que havia eliminado o culto aos ídolos, restabelecido a lei do Senhor, reformado o templo e seu culto — justamente ele teve que tombar numa batalha decisiva contra o faraó Neco.
Foi um choque para o povo. Os sentimentos do povo estão expressos na palavra de Jeremias 12.1: “Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?” Por que o ímpio vence, e o temente a Deus tomba? Por quê?
Como é duro este “porquê”. Deus luta com nossos corações para acalmar esse porquê e transformá-lo em outra palavra. Na expressão “apesar de tudo”. Esta luta é descrita em toda a sua dureza no Salmo 73. “Eis que são estes os ímpios; e sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas” (v. 12). E daí então surgem todas aquelas perguntas amargas — até a radiante vitória: “Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e me recebes na glória. Ainda que minha carne e o meu coração desfalecem, Deus é a fortaleza do meu coração” (vv. 23,24,26).
Transforma, Senhor, transforma nossos torturantes porquês em vitória. Na vitória que se satisfaz com a tua graça salvífica e redentora. Sê tu a força de nosso coração, ainda que a carne e o coração desfaleçam. Amém.
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