Igreja católica recomendará candidatos
SÃO PAULO – Igreja recomendará os nomes de 22 candidatos com fotos em publicação prevista para segunda quinzena de setembro.
Pela primeira vez, os católicos de Bauru receberão um jornal com o nome, a foto e um breve histórico dos candidatos recomendados pela igreja. Farão parte da lista os nomes de 22 postulantes que foram respaldados pelas comunidades católicas.
Para fazer parte desta lista, os candidatos tiveram de se enquadrar em quatro pontos principais. O primeiro deles é ter pelo menos quatro anos de participação e engajamento nas paróquias, na Pastoral e em movimentos eclesiais. Isso evitaria a presença de “pára-quedistas”, aqueles candidatos que aparecem do nada pedindo voto aos eleitores.
Outro ponto observado pelo Conselho de Leigos da Diocese de Bauru, que teve a idéia da lista, é quanto ao estilo de vida dos candidatos, que precisa ser condizente com os preceitos católicos. Além disso, os pretendentes ao cargo político devem ter compromisso com a doutrina social da igreja e ainda estar dispostos a prestar contas à comunidade que o elegeu de seus atos como legislador.
De acordo com o presidente do Conselho de Leigos, Luiz Vitório Orti, 47 anos, serão confeccionados cerca de 100 mil jornais. Eles devem começar a circular a partir do dia 15 de setembro. Segundo ele, apesar da recomendação do voto em algum desses 22 candidatos, o eleitor católico é livre para decidir se quer votar neles. “Nós referendamos, mas a decisão do voto é sempre da pessoa. Não existe imposição”, garante Vitório.
O pastor Izaías Francisco Silva, 60 anos, da Igreja Assembléia de Deus, ministério de Madureira, também defende que a igreja deve ter seus candidatos, mas em número reduzido para não pulverizar demais os votos e, com isso, não conseguir eleger ninguém.
Unindo todos os ministérios das igrejas Assembléia de Deus em Bauru, o total de fiéis chega perto dos 10 mil. Dentre todas as igrejas evangélicas, a Assembléia é a maior não só em Bauru, mas também no País, em quantidade de membros.
Apesar disso, eles nunca conseguiram eleger um vereador em Bauru. “Somos igual ao boi. Não sabemos a força que temos”, compara. Segundo o pastor, falta conscientização dos fiéis para a importância de ter representantes políticos que são da igreja. Na opinião dele, isso ajudaria na moralização da Câmara e tornaria a corrupção mais difícil.
A Assembléia tem cinco candidatos este ano. Para o pastor, é um número muito elevado. Na avaliação dele, o ideal seria ter, no máximo, três candidatos. Isso, segundo ele, dispersaria menos o voto e tornaria mais fácil a eleição de um ou até dois postulantes de dentro da igreja.
Izaías conta que houve épocas em que a igreja queria distância da política, mas com o passar do tempo foi repensando esse posicionamento e hoje considera importante participar do processo eleitoral, inclusive com candidatos. Segundo ele, cerca de 80% dos fiéis já compreenderam a importância dessa participação, mas ainda há muito trabalho pela frente.
O pastor revela que as portas da igreja estão abertas para receber todos os candidatos, independentemente da crença deles.
Na Igreja Presbiteriana, a ordem é procurar não se envolver com os candidatos nem com o processo eleitoral. Na opinião do pastor Marcos Roberto da Rocha Rodrigues, 30 anos, demorou tanto tempo para a igreja se desvincular do Estado que agora cada um deve permanecer no seu canto.
Isso, segundo ele, não significa que a igreja não orienta seus freqüentadores a participar da melhor maneira possível do processo eleitoral. “Como igreja, procuramos não apoiar candidatos, mesmo que eles sejam do nosso meio. Mas entendemos que a política é necessária e costumamos orientar os membros a votar de forma correta. Não apoiamos o voto em branco”, explica.
Fonte:JCNet
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