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A morte

Busquei aproximação. Eram os parentes de Elias. Fui recebido com frieza. A família só afastara-se da igreja, mas Elias escolheu o caminho do crime. Antes dos 30 anos, foi morto num assalto.

Qual das mortes causou-me mais tristeza? Sua segunda morte, ocasionada pela rejeição a Cristo.

A primeira morte, que é a física já nos mostra muito horror. Alguns ficam depressivos por longos dias, ou até anos. Outros perdem o sentido de viver. Outros ficam revoltados contra Deus. Mesmo os que se dizem ateus, diante da morte revelam a fragilidade de sua convicção. A morte é uma penumbra que pousa sobre todos os mortais. À medida que a idade avança, a penumbra ganha um espaço maior sobre a cabeça daqueles que por ela serão atingidos. Todos nos lembramos do que diziam aqueles que por ela ainda seriam atingidos. Alguns manifestavam grande coragem perante ela. As vésperas de sua visita provaram que eram hipócritas. Há os que afirmavam: “Não penso na morte.” Pura mentira, pois todos sabem que, negá-la, é um falso subterfúgio. Cada pessoa que morre ao nosso redor deixa uma mensagem que nos ameaça.

A primeira morte é o último capitulo da existência de um homem. Visitando os castelos da Europa, eu olhava para os pertences deixados por várias gerações que ali viveram e pensava: De que lhes valeu o apego a tudo isso?

Que proveito eles podem tirar do fato de que outras centenas de anos depois passaram a contemplar seus pertences?

De que lhes valem tais objetos hoje? Por acaso, o escudo que tenho pela frente pode lhe proteger de algum perigo na outra existência? Alguém pode retrucar: “Tolice pensar assim.” Pergunto ao que retruca por que então teme a morte? Ela é terrível! Ela desmente e humilha a todos.

Mas, se a primeira morte é tão terrível e faz tantos estragos a nossa felicidade, que se dirá da segunda morte. Se a morte do corpo traz tanto sofrer, que se dirá do sofrer da segunda morte? Lá se encontrarão os vizinhos, parentes, figuras que foram famosas, estudadas em nossos cursos, queridas por nós, admiradas, temidas e também odiadas, religiosos, ateus, alguns foram até considerados bons, escreveram leis que nos beneficiaram, outros que governaram sobre nós, aclamados por todos os seus contemporâneos, no entanto, lá estão, “pranteando e rangendo seus dentes”, numa prova de que, aquilo que foram nesta vida nada lhes valeu na outra. Dizia o poeta: “E agora, José?”.

Talvez seja isso que ele também esteja dizendo para si mesmo na outra existência.

Agora, só uma perguntinha: “Não será hoje, o tempo em que deva preparar-se para a outra.

Pr. Manoel de Jesus Thé
Pastor da Igreja Batista Ebenézer – São Paulo – SP
manoeldejesus.the@gmail.com


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