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A astrologia é condenada na Bíblia como forma de idolatria. No entanto, em Mateus 2.2, o nascimento de Cristo foi narrado aos magos mediante o aparecimento da estrela no céu. Como é possível isso?

Socorro BíblicoEm primeiro lugar, precisamos definir a astrologia como a crença supersticiosa que envolve o movimento ou a posição dos planetas e das estrelas como advertências prévias sobre a vontade dos deuses (ou forças do destino), a qual seus devotos podem de alguma forma controlar ao partir para algum tipo de ação preventiva ou evasiva. Além disso, como é o caso dos horóscopos e estudos dos signos do zodíaco, tão em voga hoje, a astrologia alega poder indicar potencialidades especiais nas pessoas nascidas sob determinada constelação ou prever boa ou má sorte para as atividades em que alguém esteja engajado durante aquele dia em especial. Nos tempos antigos, pré-cristãos, o interesse pela astrologia se fazia acompanhar pela adoração de corpos celestes de maneira ritualística. Todas as pessoas que se dedicavam a tais práticas em Israel eram condenadas à morte por apedreja-mento (Dt 17.2-7).

No caso do nascimento de Cristo, no entanto, nenhum dos elementos acima estava envolvido. A estrela que os magos viram no Oriente constituía um anúncio de que o menino Jesus havia nascido. Sabemos disso porque o propósito da ordem de Herodes a seus soldados enviados a Belém foi este: “Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos” (Mt 2.16). Portanto, a estrela deveria ter aparecido quando Jesus nasceu, e foi necessário que os magos viajassem durante mais de um ano até chegar a Jerusalém para sua entrevista com Herodes. Aquela luz não foi uma previsão, mas o anúncio de um fato consumado.

Em segundo lugar, a peregrinação dos magos não envolvia adoração alguma aos falsos deuses nem qualquer forma de determinismo. Eles simplesmente receberam o anúncio de Deus por meio da estrela, para que procurassem o rei recém-nascido, pois entendiam que este haveria de tornar-se o regente do mundo — inclusive de seu país (talvez a Pérsia, pois os magos atuavam nessa área nos tempos antigos). Decidiram, então, formar uma caravana e partir em peregrinação até Jerusalém. Se eram três ou mais, não sabemos com certeza, exceto que foram três os tipos de presentes mencionados: ouro, incenso e mirra. Esses magos desejavam homenagear o bebê enviado por Deus a fim de tornar-se o Rei dos judeus e de toda a terra.

Em terceiro lugar, devemos entender que as Escrituras falam em várias outras passagens sobre anúncios divinos nos céus, utilizando Sol, Lua e as estrelas. Por exemplo, Jesus fala do “sinal do Filho do homem” que vai aparecer no “céu com poder e grande glória” (Mt 24.30). É justo presumir que esse sinal incluirá o Sol, a Lua, as estrelas — embora pudesse ser apenas uma aparição simbólica. Mas é certo que no Pentecostes, o apóstolo Pedro menciona Joel 2.28-32 e refere-se a esses sinais da segunda vinda de Cristo ao dizer: “Mostrarei maravilhas em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor” (At 2.19,20). Essas manifestações celestiais nada têm a ver com a astrologia, a superstição pagã.

Uma última palavra a respeito da estrela de Belém. Muita especulação e muitos cálculos astronômicos têm sido feitos sobre a questão de como uma estrela tão brilhante e importante poderia ter sido visível aos magos. Alguns sugerem que houve um inusitado alinhamento de planetas ou estrelas, de tal modo que a luz assim combinada teria produzido um brilho incomum, digno de nota. É certo que essa causa poderia ser atribuída a um clarão original, mas é muito improvável que algum astro fosse capaz de dirigir seu brilho de modo específico na direção de Israel, para que os magos pudessem identificar o lugar onde o menino Jesus residia. No entanto, de acordo com Mateus 2.9, “a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino”. Essa era verdadeiramente uma estrela sobrenatural enviada por Deus para guiá-los.

Extraído do livro Enciclopédia de temas bíblicos


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