Literatura incolor para EBD… É cada uma que me aparece!

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Quem é pastor recebe um monte de papel toda hora: Convites para eventos, propaganda de empresas querendo vender algo, agências evangélicas anunciando seus ministérios e oportunidades de serviço e envolvimento, etc. Já estou acostumado com essa enxurrada de papéis.

Porém, um dia desses recebi um folder de uma editora que publica revistas para a Escola Dominical apresentando seus produtos. O que me chamou a atenção foi o mote da argumentação de venda: “Nossa literatura não tem cor doutrinária!”. Certamente eles desejavam comunicar a ideia de que a literatura apresentada não entrava em questões de natureza doutrinária, podendo assim ser usada por igrejas de qualquer denominação. Desta forma, nasceu no cenário editorial evangélico do Brasil a literatura doutrinariamente incolor para a Escola Dominical.

Esta é a mais contundente prova de que a Educação Cristã, a partir da visão de algumas editoras, passou a ser norteada pelo aspecto comercial. O importante é que todos comprem!

Contudo, a Escola Bíblia Dominical, especialmente na tradição educacional batista, não autentica esse escuso caminho. Antes privilegia o que muitos desprezam: A coloração doutrinária.

A Escola Bíblica Dominical é uma organização da igreja local que tem, entre outros, o objetivo de fortalecer doutrinariamente os membros da igreja. Assim, precisa valer-se de uma literatura de cor doutrinária definida, ou seja, respaldada pela Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. Em outras palavras, as lições precisam expressar a interpretação da Bíblia que respeite as doutrinas batistas. Isso é literatura doutrinariamente de cor batista.

Agora, acompanhe, para fins de reflexão e também de orientação, um pouco de casuística em torno do eixo central do programa educacional cristão, que é a literatura.

O fato de uma literatura ter sido escrita por um batista, de forma autônoma, garante que tenha cor doutrinária batista?

Não necessariamente! O fato de um escritor batista optar por produzir uma literatura de forma autônoma pode ser explicado por diversas razões, inclusive pela liberdade de escrever e publicar sem compromisso doutrinário. Às vezes ele o faz por questões de natureza financeira, aí a situação também é preocupante, pois, se deseja vender sua literatura, pode ser que tenha que descolori-la doutrinariamente para obter êxito.

O fato de uma editora de outra denominação publicar uma literatura escrita por um batista garante que a mesma seja fiel às doutrinas batistas?

Novamente não. Se uma editora de confissão distinta aceita publicar uma literatura escrita por um autor batista, é porque está segura de que ele não escreveu nada que venha a confrontar a denominação da mesma. Assim, como fica o tratamento das questões doutrinárias onde a Declaração Doutrinária da CBB diverge?

O fato de uma editora que se apresenta como não denominacional publicar uma literatura escrita por diversos autores, inclusive batistas, oferece alguma segurança doutrinaria à igreja que a utiliza?

De forma alguma. Essas editoras ditas supradenominacionais são notadamente descomprometidas com o aspecto doutrinário. Inclusive é comum que tais editoras orientem seus autores a não entrarem em aspectos doutrinários que possam causar descontentamentos a este ou aquele segmento religioso. Logo, é a literatura à serviço do desejo de agradar a todos. Obviamente, não agradará a uma igreja genuinamente batista.

O fato de a igreja decidir produzir sua própria literatura, usando seus pastores e líderes como escritores, garante que a mesma tenha cor doutrinária batista?

Por mais estranho que pareça, a resposta também é não, pois, para uma igreja produzir sua própria literatura, precisa antes construir um currículo, que por sua vez emana de uma filosofia educacional aprovada pela igreja, dentro do compromisso doutrinário batista. Ou seja, não basta escrever lições soltas ou revistas soltas, sem vínculo curricular que seja bíblico e doutrinariamente sadio. Assim, para que uma literatura produzida pela própria igreja lhe assegure fidelidade doutrinaria batista, precisa de um acompanhamento editorial desde o nascedouro da filosofia e do currículo, até a revisão teológica do que é escrito e, naturalmente, publicado.

O fato de uma editora batista, que funcione dentro da estrutura denominacional, produzir uma literatura escrita por batistas, garante coloração batista segura para a igreja no que diz respeito à doutrina?

De fato, neste caso, a segurança é bem maior, pois, sendo uma editora que funcione dentro da estrutura denominacional, portanto, provida de conselho editorial, editores responsáveis pela revisão doutrinária e corpo editorial que opere a partir de critérios inclusive doutrinários, tanto para a seleção dos escritores quanto para as devidas e necessárias revisões teológicas, permite que qualquer desvio ou equívoco doutrinário seja devidamente filtrado, garantindo uma literatura doutrinariamente sadia para a igreja.
É claro que ainda assim podem ocorrer erros ou falhas, pois é literatura produzida por pessoas. Portanto, pode vir a conter informações ou interpretações lacônicas ou até incorretas da Bíblia. Porém, tal possibilidade tramita no terreno do remoto, pois os filtros existentes e o compromisso assertivo com as convicções batistas quase impossibilitam a existência de perigos para a igreja.

Conclusão

Hoje existem duas editoras batistas que operam dentro da estrutura denominacional. A JUERP caminha para a descontinuidade de suas atividades empresariais, o que implicará não na descontinuidade da produção de literatura, mas sim na sua transferência para a Editora Convicção, esta recém-inaugurada com o propósito de dar continuidade à extraordinária história que teve início com a Junta de Escolas Dominicais e Mocidade, que depois deu origem á Casa Publicadora Batista, da qual nasceu a JUERP e agora está transacionando para a Editora Convicção. Graças ao nosso bom Deus e à sabedoria de gestores por Ele escalados para este tempo para gerirem a denominação batista, em seu todo e em suas partes, a transição do acervo e do compromisso editorial da JUERP para a Editora Convicção está sendo operada de forma sábia, segura e tranquilizadora para as igrejas batistas do Brasil. Oramos para que toda a transição ocorra sem demora desnecessária.

Não ignoramos também a excelente literatura produzida também por outras organizações e entidades executivas ou auxiliares da CBB, cujo teor doutrinário é de total confiança e merece nosso respeito e apoio.

Assim, aconselhamos às igreja batistas arroladas como filiadas à CBB que cuidem bem da literatura de que fazem uso, procurando usar aquela que maior segurança doutrinária lhe oferece, ou seja, a literatura produzida dentro da nossa estrutura denominacional e, quando não, que sua utilização seja precedida de criteriosa análise, especialmente sob o ponto de vista doutrinário.

Fazendo assim, além da segurança doutrinária, a igreja envereda-se pela trilha do apoio, da integração, da cooperação e do fortalecimento de nossa identidade batista.

Cuidado, não embarque na onda da literatura incolor. Busque literatura de cor doutrinária batista, porque, graças a Deus, ela existe, é de excelente qualidade e está disponível.

Pr. Lécio Dornas
Pastor da Igreja Batista do Fonseca – Niterói – RJ
Segundo Secretário da CBB

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