Tesoureiro denuncia irregularidades na CGADB

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ivan-bastosO pastor Ivan Pereira Bastos, eleito para o cargo de 1º tesoureiro da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) concedeu uma entrevista ao Gospel Prime onde afirma ter documentos que comprovam pagamentos e transferência de valores ilícitos no âmbito da entidade.

Ele está sendo impedido desde 2013 de exercer suas funções e até mesmo de acessar a sala da tesouraria do prédio sede da CGADB no Rio de Janeiro. Bastos foi eleito com 7.268 votos na chapa de oposição ao atual presidente, José Wellington Bezerra da Costa, encabeçada pelo pastor Samuel Câmara.

Segundo Bastos, desde a eleição tem sido impedido de assumir seu posto. “Não consegui assumir e trabalhar, sofri perseguição e fui linchado verbalmente e moralmente. Chegaram a me desligar da CGADB por meio de liminar. Quem vem assinando tudo é o segundo tesoureiro”, contou em entrevista.

Bastos conta que teve que recorrer à força policial para entrar na dependência da tesouraria. “Foi chamado até um chaveiro para abrir a porta, o que na ocasião terminou com todos indo para a delegacia”, disse.

De acordo com ele, vem empreendendo desde então uma intensa batalha judicial na intenção de efetivar o exercício do seu cargo, chegando a obter uma decisão judicial para que a CGADB o reintegrasse à sua função.  Em suas visitas ao prédio e vistas aos livros contábeis, afirma que percebeu “muita coisa errada”, que inclui passagens e hospedagens pagas pela CGADB, além pagamento de milhares de refeições e transferências bancárias indevidas.

“A mesa diretora não toma conhecimento, tudo é feito nas caladas e muitos concordam com essa situação toda”. E afirma: “A CGADB está na escuridão, ninguém consegue enxergar o que está ali. Eu sou a chave dessa caixa preta”, afirma.

Bastos afirma ainda que tem provas guardadas de forma segura em diversos locais diferentes, pois teme pela sua vida e de sua família. “Existem muitos interesses envolvidos de pessoas que dependem desse sistema. Tenho que me resguardar”.

Segundo Bastos, ele não se responsabiliza por nenhum movimento bancário, compra ou venda ou mesmo decisão contábil desde sua eleição. “Se houver algum questionamento do ministério público ou de quem quer que seja, minha assinatura não existe em nenhum registro”, garante.

Ele indica ainda que o presidente do departamento jurídico vem tomando as decisões sobre os rumos da entidade. “Nossa convenção hoje não tem ideias e nem projetos, só se reúnem para conversar e quem encabeça é o presidente da comissão jurídica, dr. Abiezer Apolinário”.

O convencional ainda defende que as questões controversas devem ser levadas às instâncias judiciais, já que os questionamentos têm sido ignorados pela liderança. “Não havendo resposta por parte do presidente e das comissões não resta outra alternativa que não seja partir para a justiça, é o recurso bíblico”, diz, citando o livro de Coríntios. E completa: “hoje não há interesse por parte da direção de entrar em um entendimento”.

Eleições controversas

As eleições da mesa diretora e do conselho fiscal da CGADB ocorrida no dia 9 de abril se deu cercada por controvérsias, desde que o candidato filho do atual presidente, José Wellington Júnior, teve sua candidatura cassada por liminar.

Foram constatadas irregularidades em sua inscrição, como não ter se desincompatibilizado da direção da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), o que contradiz o edital que regulamenta o processo eleitoral. Suspeitas de fraudes foram reforçadas com o cancelamento de 10.479 inscrições irregulares, já que muitos dos pastores inscritos estavam desligados da convenção ou até já haviam morrido.

Apesar da suspensão das eleições determinada pela juíza Angélica do Santos Costa, do tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a CGADB anunciou como vencedor José Wellington Júnior, chegando a parabenizá-lo por meio do site da convenção. Ao todo, 13 liminares foram descumpridas pela direção da entidade, que decidiu manter o pleito e divulgar o resultado da eleição.

No último dia 4 de maio uma audiência ocorreu na 1ª Vara Cível do Rio de Janeiro para decidir sobre a convocação de novas eleições.

O pastor José Wellington Bezerra da Costa ocupa o cargo de presidente da CGADB desde 1988, mas preferiu passar ao filho o comando da instituição. Concorrem ao cargo também o pastor Samuel Câmara, presidente da Assembleia de Deus em Belém  e Cícero Aparecido Tardim, presidente da Assembleia de Deus Alto Piriqui  (PR).

Gospel Prime

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