O Brasil e os seus pecados

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Brasil, este país continental, jóia da criação divina, paraíso de inúmeras espécies, berço das mais belas paisagens de todo o planeta. Brasil, esta terra fértil, este chão abençoado, onde tudo nasce, onde tudo pode ser cultivado, onde a água brota das rochas, das fendas das montanhas, dos penhascos, dos vales, dos poços, das minas. Brasil, de clima agradável, quente, úmido e, quiçá no inverno, frio com ternura nas querências do sul. Ah, Brasil-cartão postal, Brasil das belezas, Brasil das aves, dos pássaros, das florestas, dos pantanais, das cascatas, dos campos, dos vales, dos poetas!

Brasil, tão lindo e belo, e tão afundado nas águas fétidas do pecado! Antes que os europeus aqui chegassem, suas tribos indígenas enchiam o território com suas aldeias, nações, línguas e costumes. Quase, todas, porém, adorando o sol, a lua, as estrelas do firmamento, as águas, os espíritos, os demônios e o mal. Costumes abomináveis, como matar um bebê gêmeo que nascesse ou um deficiente que viesse à luz encharcaram (e encharcam) de sangue as terras deste continente. Sacrifícios humanos, semelhantes aos incas, aos astecas, aos maias, aos tupi-guaranis, com exceções, além do canibalismo contra os seus inimigos, eram comuns nestas terras.

Com a chegada dos europeus e a colonização desta terra, outros múltiplos pecados foram adicionados, como a escravidão indígena, o tráfico dos navios negreiros, a opressão de criminosos que se tornavam governantes e a classe de ricos e corruptos que oprimia os camponeses empobrecidos. E a mais sórdida idolatria, agora misturada com o romanismo europeu, adicionando o sabor das religiões mágico-ocultistas africanas, numa mistura que transformou esta terra num caldeirão dos amorreus, cuja medida, ao nosso ver, está a chegar ao limite, quando será disparada, sem trégua, dó ou piedade, a justa justiça divina (e, à luz dos acontecimentos contemporâneos, pergunto: não teria sido disparado o gatilho do juízo sobre esta nação ainda?…)

Quais são os pecados desta terra? Alistá-los ocuparia o volume de um dicionário da língua portuguesa, uma lista telefônica, além de confundir-nos com meros detalhes de maus gigantescos e maiores. Quero citar cinco grandes pecados nacionais, por meio dos quais Satanás, o adversário, tem sido entronizado no Brasil ano após ano, cobrando a sua fatura, qual seja, o império de seus asseclas em todas as esferas de domínio público (poder político, empresarial, sindical, religioso, trabalhista e cultural).

PECADO DA IDOLATRIA – Este país julga servir a Deus quando arrasta pelas ruas, avenidas, praças e locais públicos, além das celebrações privadas, imagens de toda espécie, oriundas de todo tipo de crença, levando ao delírio multidões sem fim. De norte a sul, de leste a oeste os brasileiros fazem procissões, carregam em andores as suas imagens de prata, de bronze, de cobre, de madeira, de gesso, de isopor, de papelão, de todo tipo de material, simbolizando mártires religiosos, santos, ídolos da floresta, animais, seres do além, demônios, símbolos de toda origem. O brasileiro paga promessas, arrasta-se de joelhos por longas estradas, fere as costas, queima a ponta dos dedos com ferro e fogo, buscando agradar as  suas deidades. Queima velas, queima capim, queima incenso, queima madeira, feno, palha, sob o olhar anuente de seus líderes religiosos, e semeia neste país a mesma ira de Deus que consumiu a terra de Canaã, quando Deus os condenou à morte, entregando o território aos hebreus que caminhavam pelo deserto.

PECADO DA CORRUPÇÃO – Corromper é estragar, é deteriorar. E nada é mais presente na nação brasileira que a deterioração de tudo. Há poucos dias devolveram a carne exportada porque estava deteriorada. Os jogos olímpicos quase não aconteceram porque a vila olímpica deteriorou-se antes de ser utilizada. O governo que atualmente tomou o poder deteriorou seu caldo de moralidade, quando descoberto nos mesmos crimes dos quais o anterior fora acusado. E tal corrupção espalha-se por toda parte. O governo cobra muito além do que precisa, para repartir entre os seus. O empresário burla esse pagamento opressivo e descobre meios de ludibriar o fisco. Um rouba o outro e ambos fingem não saber de nada. E de vez em quando alguém é preso para encenar seriedade. Entre os trabalhadores o mesmo acontece. Alguém quer o emprego, mas não trabalha adequadamente. O patrão quer o empregado, mas não o remunera pelo tanto que merece. Assim ambos lutam a vida inteira, enganando e sendo enganados. O cidadão reclama da corrupção, mas engana o mercadinho, comprando uma dúzia e levando 14; reclama da justiça, mas faz questão de abrir um processo contra o ex-patrão, mesmo sabendo que mentiu para conseguir a causa. O aluno cola na prova; o professor aceita o suborno de quem paga um pouco à parte. O avaliador do DETRAN faz vistas grossas ao mau motorista que lhe deu uma gorjeta. E assim, de engano em engano o Brasil esfacela qualquer conceito de decência para a geração que chega e cresce.

PECADO DA PROSTITUIÇÃO – Não há mais filmes brasileiros, com alguma exceção, que não coloquem, como cena de chamarisco ou destaque, uma cama quente, onde alguém ardentemente praticará a prostituição explícita ou subentendida. Não há novela neste país que atraia público se não tiver um adultério, uma traição, uma cena gay, uma orgia, textos com palavrões e com malícia e sexo explícito. Os programas de humor, feitos por gente antiga, que conhecia bem a fórmula do antigo sucesso (rir das banalidades) aperfeiçoou o pecado, transformando os seus programas em verdadeiras aulas de conversas chulas, de safadeza, de risos sobre a sexualidade alheia. Família? Dificilmente encontramos casais de um só casamento. Dificilmente encontramos jovens virgens para o enlace conjugal. As músicas brasileiras, antes tão poéticas, românticas ou de evocação à brasilidade, resumem-se hoje a beijar na boca, fazer amor, transar a três, trair o amigo e falar muito, muito palavrão. Veste-se a prostituta de rainha e o gay de rei e concede-se a eles o poder de formar a mentalidade de toda a população nos programas de audiência maciça. Não há mais pejo.

PECADO DO EGOISMO – Um país até pouco tempo rural, de condições miseráveis, com uma população urbana fragilizada e em formação, descobriu-se, neste século, com toda a mídia colocada ao seu serviço, a grande opção de viver hedonisticamente a sua vida solitária e horrorosa. Há alguns dias um suposto filósofo, “mauricinho” (granfino) da preferência de burgueses e metidos a inteligentes, disse: “a nova geração tem direito de deixar os velhos no asilo e ser feliz”. Ele, como todo popular, falou a frase “em cima do muro”, mas insinuando a questão tão típica destes dias. Velhos são jogados nos depósitos de lixo humano; alguns são bem tratados; outros, miseráveis, aguardam apenas que a providência lhes pare o coração (não está em questão quem precisa de cuidados especiais). Adoção, por sua parte, virou negócio e o governo, ao invés de facilitar as centenas de milhares de famílias que esperam cansadas uma oportunidade de adotar uma criança, bebê ou crescida, espera que essa criança se torne um adolescente, quando as chances de integração serão nulas. E se alguém ousa cuidar de um desamparado, muitas vezes recebe punições e não o apoio pelo ato nobre e humano. Queremos o primeiro lugar na fila, sem nos importarmos com quem está na frente. Queremos ultrapassar o outro carro e nem nos importamos de dar o sinal de seta, de pedir licença. Queremos a vaga do outro, e não temos pejo de “puxar o tapete” de quem nos atrapalhar. Quando “a mesa vira”, nos sentimos humilhados. Costumo dizer algo que tornou-se um jargão verdadeiro em múltiplas situações: QUER CONHECER ALGUÉM? DÊ-LHE PODER!

PECADO DOS CRENTES – Ah, este tem sido muito pior. Até a década de oitenta éramos poucos e bem estilizados. A resposta era fácil: ou “sou crente” ou “não sou crente”. O preço que se pagava era alto demais para que falsos cristãos quisessem fingir a fé. Havia preconceito contra crentes. Mas os que galgavam degraus eram dignos, eram nobres. E os que não os galgavam eram tão honrados quanto os primeiros. Tinham moral, tinham decência, tinham honestidade, tinham estrutura familiar, tinham limites em seu lazer, tinham linguagem sadia, buscavam testemunhar, tinham compromisso evangelizador. Não tinham medo de falar de céu, de inferno, de idolatria, de corrupção, de egoismo e de apontar para Cristo, o Seu sacrifício na cruz e a necessidade de conversão genuína, composta por arrependimento e fé. O batismo era um ato de coragem, de rompimento com o antigo e de vestir a camisa do novo e vivo caminho, pelo sangue de Jesus, eterno sumo-sacerdote. No fim da década de setenta e início de oitenta Satanás vomitou no mundo todo, trazendo os seus pastores para dentro das igrejas. No ramo pentecostal trouxe a igreja eletrônica, os grandes gurus da fé, os donos de seitas, os curandeiros e seus “maiores templos do mundo”. No ramo tradicional trouxe a teologia liberal, o pós-cristianismo, o relativismo teológico, o enfraquecimento das doutrinas da fé e o arrefecimento dos púlpitos. Então, num golpe de mestre, Satanás trouxe os pecados acima para dentro das igrejas, transformando-a em Igreja Cristã de Satanás. E como?

Ele colocou nas doutrinas das seitas cristãs evangélicas a idolatria como ato de fé. Foram buscar no Velho Testamento a arca da aliança, o candelabro, as roupas sacerdotais, o shofar, o incenso, o véu do templo e tudo quanto era objeto da velha aliança, aliando-os com símbolos cristãos: o peixe, o cajado, a vara, o trigo, o cacho de uvas, enchendo a mesa do Senhor de porcarias idolatrantes. Colocaram vestes rituais em seus líderes e proclamaram-nos gurus, pajés e feiticeiros da fé. Não contentes com isso, distribuiram mezuzás (coisa do judaísmo, textos em hebraico num invólucro, colado no umbral das portas) para serem carregados como amuletos. E novas igrejas apóstatas cresceram, consertando o que Jesus falou. Ele dissera que não era mais em um monte específico que Deus queria ser adorado. Mas os pastores de Satanás ensinaram que era no monte de São Roque, no monte Horebe, no Monte Sinai, e, iludindo os incautos e idólatras, conduziram-no à mesma idolatria no Brasil.

Satanás trouxe também a corrupção. Os escândalos que hoje são exibidos nas denúncias, com áudios, com vídeos, com documentos por escrito, fazem-nos vomitar com dores profundas na alma. Gente que prega por dinheiro, que louva por dinheiro, que promete bênçãos em troca de dinheiro, sem o menor pejo! Gente que se torna bispo de grande denominação e é ovacionado por governadores, deputados e senadores, todos envolvidos em corrupção, mas, ainda assim o povo não abre os olhos. Igrejas que nascem hoje e fecham amanhã, com portinholas nas grandes avenidas, com placas imensas e promessas de curas e de prosperidade, e que, em quatro meses fecham, porque tiraram todo o dinheiro do povo e não pagaram nem um mês de aluguel ao proprietário do salão. Fecham aqui e abrem do outro lado da rua, continuando o roubo à mão armada, travestidos de crentes, sendo tão corruptos quanto qualquer incrédulo.

O Diabo conseguiu inserir prostituição na igreja, quiçá, para a plataforma de líderes. Dá vergonha olhar o que o filho de um dono de igreja recentemente falecido, disse à moça nova, em áudio detectado, e, ainda assim, continua a reunir milhares de pessoas em concentrações do suposto espírito santo. De noite ele trai a esposa, ele troca de mulher, e, de dia, ele cura enfermos e expulsa demônios. Esse é o evangelho do inferno, com líderes que fazem jus à condenação. Pastores e bispos que são flagrados com amantes, com adúlteras, em ambientes de homossexualismo, em pedofilia. Cantores e cantoras gospel que já casaram, descasaram e se ajuntaram inúmeras vezes e, ainda assim, são o sucesso na mídia evangélica. E por quê? Porque o espírito de prostituição está sobre as igrejas evangélicas brasileiras, com raras exceções (se não houvesse exceção não haveria este artigo e não teria você como leitor).

Para enfeitar essa desgraça toda Satanás injetou nos crentes o espírito de egoísmo. O evangelho é bom? É bom só para nós; poucos são os que evangelizam de verdade. Hoje a moda é achar que todos já estão salvos, todos são crentes, todos já estão no reino. Hoje crentes e católicos cantam no mesmo palco, sob os aplausos da coletividade. Hoje espíritas fazem encontros de auto-ajuda com os evangélicos. Hoje jantares raciais, sob o pretexto de celebrar a igualdade, une líderes de religiões ocultistas e teólogos renomados, tanto pentecostais quanto reformados. Além disto aprendemos a cuidar de nosso castelo e império próprio, fazendo vistas grossas às necessidades dos outros. As mídias nos afastaram da comunhão. Igrejas estão abandonando os cultos duplos no domingo, porque, além do povo não vir, transferiram a audiência para o conforto do lar. Não é mais necessário reunir-se, ter comunhão. Basta mandar o dízimo pelo cartão de crédito e curtir o culto, mandando um “amém” pelo whatsapp. Quando alguém sofre nós mandamos um maldito emogi (essas figurinhas substitutas do calor humano) expressando condolências, dor, ou celebrando a alegria com carinhas alegres. Não ligamos mais o telefone ou visitamos mais os lares. Nós compartilhamos vídeos às toneladas. Nós mandamos mensagens plásticas e prontas. E se alguém se vai, lamentamos e dizemos: “que Deus conforte, já foi pro Céu, está melhor que nós, vida que segue”.

Concluindo

Há quanto tempo o púlpito de sua igreja não prega sobre o INFERNO? Provavelmente, nas igrejas liberais, ou dos neopentecostais, versões melhoradas do inferno são proclamadas constantemente. Os liberais têm o seu ícone universalista, um pregador bonzinho e mauricinho, que deseja que todos possam ir pro Céu. No ramo neopentecostal o inferno aparece antes das fogueiras santas e desaparece com um gordo envelope de ofertas completas, sob as promessas de bênçãos celestiais.

Mas, e se a sua igreja não for uma igreja desse tipo, há quanto tempo não se prega sobre a perdição eterna? Não será por faltar o conselho de Deus, a pregação completa da Palavra, que o povo que congrega esteja tão tranquilo, tão confiante de que Deus não castiga a ninguém? Porque, no vácuo do púlpito, Satanás atua, preenchendo todas as brechas com as suas palavras mentirosas. Eu pensei no meu púlpito. Porque, conquanto sejamos dos que têm certeza da salvação pelo sacrifício completo de Cristo, somos dos que crêem que os salvos perseveram, buscam a santidade; e qualquer sintoma de indolência é perigosa, pois está escrito: “buscai a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Os que verão o Senhor BUSCAM a santificação. E buscá-la é meditar em todo o conselho de Deus, inclusive na realidade do inferno. À semelhança de Jonathan Edwards, no século XVIII, estamos precisando de sermões do tipo “Pecadores Perdidos nas Mãos de Um Deus Irado”!

Os pecados do Brasil estão expostos. Os das igrejas também. E os meus? E os seus? Arrependamo-nos e busquemos ao Senhor!

Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. (Is 55:7)

Pastor Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

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