O perigo da dualidade

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“Por que jejuamos’, dizem, ‘e não o viste? Por que nos humilhamos, e não reparaste?’ Contudo, no dia do seu jejum vocês fazem o que é do agrado de vocês, e exploram os seus empregados.” (Isaías 58.3)

Os israelitas a quem Deus dirigiu essas palavras por meio do profeta Isaías estavam tendo uma divergência com Deus. Para eles Deus estaria falhando, afinal, eles estavam cumprindo a sua parte. Eles consideravam que Deus era como os deuses das demais nações ao seu redor, a quem poderiam “acionar” com seus ritos e sacrifícios, pouco importando o modo como viviam e se relacionavam. Pensavam que bastava realizar os jejuns de consagração, praticar os atos de humilhação diante de Deus, e Deus então faria a Sua parte dando-lhes o que desejavam. Às vezes pensamos de forma similar. Damos o dízimo para ser abençoados. Fazemos orações, lemos a Bíblia e vamos ao culto e pensamos que isso é o bastante. E ai esperamos receber as recompensas de Deus por nossa dedicação. Mas o Deus revelado nas Escrituras é de outra natureza.

Quando dizemos isso alguns então pensam que estão dispensados do culto, do dízimo, da oração e da leitura bíblia, afinal, não são essas coisas que “acionam” Deus! Vão então para o outro extremo, ignorando o lugar da devoção e do culto. Ignorando que de várias formas todas essas coisas são caminhos importantes em nossa vida de fé. Nossa atitude deveria ser outra, a exemplo do que Jesus disse aos mestres da lei e fariseus: “Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.”(Mt 23.23)

O problema dos israelitas era seu coração sem amor e suas atitudes egoístas. Se estavam jejuando e se humilhando, isso deveria leva-los a viver com mais temor e humildade, amor e justiça. Eles deveriam obedecer mais prontamente a Deus! Mas acabaram dualizado a vida: uma coisa era a oração e outra a vida. Uma coisa era o sábado, outra são os demais dias! Uma coisa era o modo como agiam no templo e outra, como agiam em casa e no trabalho! Era isso que deveria mudar. Não é verdade que corremos o mesmo risco de viver essa dualidade? Sim, corremos. Devemos tornar profunda e verdadeira nossa oração, nosso dízimo, nossa leitura bíblica, nossos cultos e devoção. Eles importam e não devemos pensar que não nos fariam falta. Mas não deve haver dualidade em nossa vida. Deus que nos livrar dela, mas isso também depende de nós.

ucs

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