Por dentro e por fora

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“O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?” (Isaías 58.6-7)

Há diversos aspectos de nossa fé que mais dizem respeito a nós mesmos que a Deus. O que quero dizer é que, por exemplo, quando nos reunimos no templo e cantamos músicas para Deus, fazer isso é muito mais importante e necessário para nós do que para Deus. Usando outras palavras, Deus não precisa desse evento, nós é que precisamos. Logo, já fica esclarecido que nos reunir e cantar juntos são importantes e necessário, porém, visto que tem muito mais a ver conosco do que com Deus, não devemos pensar que fazendo isso estamos completos em nossa vida de fé, pois não estamos. Aquilo que cantamos precisa se revelar em nossa vida, em nosso modo de agir. Aí sim estaremos chegando ao que verdadeiramente importa para Deus. Se nossa voz não levar junto nossa vida, ela não fará sentido para Deus. Se levar, Ele terá prazer em ouvir o nosso canto.

É isso que, por ordem de Deus, o profeta estava falando com a nação de Israel. O jejum que eles faziam cujo significado era consagração a Deus, não se revelava consagração, porque eles viviam e se comportavam contrariando o coração de Deus. Eles jejuavam, mas eram injustos em suas relações sociais. Havia opressão contra os mais fracos. Os necessitados eram esquecidos. Eles não mostravam amor ou compaixão pelo próximo e por isso nada faziam para ajudar os necessitados. E desde sempre a fé em Deus implicou no modo como tratamos o nosso próximo. Erramos se ficamos atentos em não ofender a Deus quando pensamos coisas que Ele não aprova, mas tratamos mal o nosso próximo e não compreendemos que isso também é algo que Deus não aprova.

É assim que nos tornamos moralistas em lugar de pessoas éticas. Legalistas, em lugar de cristãos maduros. As ideias, as formas, os ritos e os hábitos nos dominam, mas por baixo, no coração, pouca coisa de fato está sendo mudada. Esmeramo-nos na construção de ideias, na manutenção das formas, na realização dos ritos e na prática dos hábitos, mas somos pessoas sem beleza na alma. Os israelitas não precisavam parar de jejuar. Mas deveriam dar sentido existencial ao jejum que praticavam. Esse é também o nosso desafio. Devemos dar sentido prático às nossas práticas religiosas. Elas são importantes para nós e muito úteis. Mas não é um fim em si mesmas. Elas devem nos motivar a viver de uma forma nova. Busquemos sinceramente isso. Que nossas palavras, atitudes, ações e reações, confirmem nossos jejuns!

ucs

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