A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória

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Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé (Gl 6.7-10).

Este é um texto de Paulo que faz parte da epístola aos Gálatas. Ele é muito esclarecedor. Paulo o escreveu em 49 d.C., logo depois da primeira viagem de Antioquia da Síria. O seu tema é: “A justificação pela graça divina mediante a fé em Cristo – contra a doutrina judaica das obras meritórias da lei” (Gundry, p.430). Há três lições preciosas nesse texto paulino, inspirado pelo Espírito Santo, que precisamos considerar.

A primeira é uma pergunta: O que estamos semeando? (vv.7,8). Não nos esqueçamos de que há uma lei da semeadura. O que temos semeado diante de Deus? O que temos concebido dentro do nosso coração? Temos semeado no Espírito ou na carne? Paulo, em Gálatas 5.19-21, faz uma lista das obras da carne. A leitura desta lista nos causa um grande desconforto e profunda tristeza. Em contraposição às obras da carne, precisamos semear o fruto do Espírito (Gl 5.22,23). Há um adágio popular antigo: “Semeie um pensamento, colha um ato; semeie um ato, colha um hábito; semeie um hábito, colha um caráter; semeie um caráter, colha um destino” (Citado por Stott). Precisamos ter cuidado com as más companhias; quando ficamos na cama em vez de acordarmos para orar; toda vez que lemos ou vemos material pornográfico; toda vez que assumimos um risco que cria dificuldades para o nosso autocontrole, estamos semeando para a carne (Stott). E quando semeamos para o Espírito? Quando buscamos as coisas do alto (Cl 3.1-4). Quando fazemos as coisas boas no caráter de Cristo estamos semeando para o Espírito, glorificamos a Deus.       

A segunda lição é que devemos sempre fazer o bem (vv.9,10). Para o cristão genuíno fazer o bem não cansa, mas renova as suas forças. Amplia a sua visão. O que temos feito para abençoarmos as pessoas? Qual é o nosso nível de comprometimento em relação aos que sofrem? O que significa fazer o bem? Certamente é orar, acompanhar, suprir, apoiar, estimular, motivar, facilitar, doar, consolar, orientar, encorajar, investir, etc. Os que fazem o bem em Cristo Jesus são chamados de “benditos de meu Pai” (Mt 25.34-40). Na parábola dos talentos contada por Jesus, os que agradaram a Deus foram os que multiplicaram seus talentos e as suas ações propositivas (Mt 25.14-30). O filantropo cristão que semeia boas obras na comunidade vai fazer boa colheita nas vidas daqueles a quem serve e terá uma recompensa para si mesmo na eternidade (Stott). Somos salvos por Cristo Jesus para as boas obras. Deus quer que andemos nelas (Ef 2.8-10).

A terceira lição é um péssimo exemplo de pessoas que semearam a desobediência, a perversidade e a incredulidade. Temos alguns exemplos negativos tais como: Adão, que nos passou a natureza perversa, má, incrédula. Caim, seu filho, que assassinou o seu irmão Abel; os arrogantes construtores da torre de Babel; os irmãos de José que o venderam para os mercadores; os dez espias que promoveram o medo e o desespero ao povo de Israel; Davi que adulterou; Sansão que desobedeceu a Deus morrendo cego; os reis idolatras de Israel que promoveram a promiscuidade; Judas que traiu a Jesus, vendendo-o por 30 moedas; e Ananias e Safira, que mentiram ao Espírito Santo. Todos eles semearam a desobediência, a perversidade e a incredulidade. Tornaram-se péssimos exemplos. Colheram a vergonha e a morte.

O que temos semeado diante de Deus e do nosso próximo? Temos consciência de que prestaremos contas do que fizemos de mal aos outros? Estamos cansados de fazer o bem ou renovados por faze-lo? Temos amado a Deus mais do que tudo? Será que temos amado mais as coisas do que as pessoas? Será que temos semeado o ódio, ressentimento, rejeição, juízo temerário, amor às coisas materiais, maledicência, palavras torpes, futilidades, desavenças, divisões, infidelidade, maus pensamentos, amarguras, injustiças, oportunidades perdidas, etc.? Temos consciência de que seremos julgados por nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e ações?

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
www.oswaldojacob.com

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