Ministério Diaconal exige preparo e obediência

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“Devem também, antes de tudo, passar por experiência; depois, se não houver nada que os desabonem,  que exerçam o diaconato” (I Tim. 3.10).

Embora a contragosto, passei a ser visto como uma espécie de “examinador oficial” de candidatos ao diaconato em concílios realizados em minha região, o que ora me motiva a trazer à memória da comunidade diaconal batista alguns pressupostos que julgo importantes acerca desse fascinante ministério.

É praxe e também orientação da denominação batista obedecer a algumas etapas no processo de eleição e consagração de diáconos, sendo certo que esse ministério tem sustentação bíblica em Atos 6.1-3 e I Timóteo 3.8-13.

Tudo começa com a necessidade de a igreja instituir ou mesmo renovar o seu quadro de diáconos. Aprendemos que há pelo menos quatro formas de indicação de novos candidatos, a saber: a) indicação feita pelos diáconos mais antigos, b) indicação feita pelo pastor; c) indicação feita pela própria igreja; e d) auto-indicação.

Dentre os “Documentos Batistas” editados pela Convenção Batista Brasileira, temos um manual específico denominado “Exame e Consagração Diaconal”, que apresenta o passo a passo para as igrejas filiadas promoverem as suas consagrações diaconais, onde temos o cronograma do processo de seleção, a convocação do concílio, o convite aos diáconos, a constituição da diretoria do concílio, a ata do concílio examinatório, além da sugestão de temas que devem ser abordados pela banca examinadora.

Particularmente, defendo uma sabatina mais branda para candidatos ao diaconato em comparação com aquela praticada em concílio examinatório de candidatos ao ministério pastoral, pois enquanto este é responsável pelo ministério da palavra propriamente dita, aqueles se dedicarão, se aprovados forem, a um ministério de serviço que, de acordo com o documento acima mencionado, requer conhecimentos comuns a ambas as áreas, conforme transcrevo a seguir, seguido de comentários meus:

I – Experiência de conversão;

Meu comentário: A Bíblia fala que o inexperiente (neófito) não deve ser conduzido ao ministério diaconal. Em minha modesta opinião, três anos de conversão seria o tempo mínimo de vida cristã para alguém ingressar no ministério diaconal.

II – Teologia propriamente dita: Escrituras Sagradas, Deus Pai, Filho e Espírito Santo, o homem, o pecado, salvação, eleição, Reino de Deus, Igreja, o Dia do Senhor, Ministério da Palavra, Ministério do Serviço, liberdade religiosa, morte, justos e ímpios;

Meu comentário: Dentre outros temas, aqui são abordados assuntos relacionados a doutrinas bíblicas, tais como Bibliologia (Estudo da Bíblia), Angelologia (Estudo dos Anjos), Cristologia (Estudo de Cristo), Teologia–sistemática, dogmática ou contemporânea (Estudo de Deus), Soteriologia (Estudo ou doutrina da Salvação), Hamartiologia (Estudo ou doutrina do Pecado), Eclesiologia (Estudo da Igreja), Escatologia (Estudo ou doutrina das últimas coisas), Pneumatologia (Estudo ou doutrina do Espírito Santo) e Antropologia (Estudo do Homem).

III – Relacionamento Pessoal: Amor ao próximo e ética;

Meu comentário: Penso que o diácono, enquanto promotor da paz em ambiente eclesiástico, precisa ter elevado grau de amor ao próximo, além da necessidade de ser ético em todo tempo.

IV – Teologia prática: Batismo, Ceia do Senhor, Mordomia, Evangelização e Missões, Educação Cristã, Ordem Social e família;

Meu comentário: Importante que o candidato seja firme nas doutrinas defendidas pelos batistas, a ponto de se posicionar sobre os temas acima, especialmente nos quesitos batismo e ceia, bem como possuir como marca o ser pregoeiro e fiel defensor das atividades, filosofias e ideologias defendidas e praticadas pelos batistas.

V – Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, Pacto das Igrejas Batistas, Princípios Batistas, estrutura e funcionamento da Convenção Batista Brasileira e história dos batistas.

Meu comentário: Só aqui temos material de estudo suficiente para uma graduação superior no campo acadêmico, razão pela qual o candidato não deve ingressar no ministério diaconal sem esses conhecimentos.

Recomenda a Convenção Batista Brasileira que o Exame de concílio deve ter parecer favorável desde que:

I – Conste na ata do Concílio de Exame o registro da presença de pelo menos sete diáconos batistas; e

Meu comentário: Ainda que se trate de um ministério local, toda igreja filiada à Convenção Batista Brasileira deve observar esta recomendação em nome da publicidade e também da transparência no processo.

II – Haja aprovação de pelo menos 80% (oitenta por cento) dos diáconos presentes ao Concílio de Exame.

Meu comentário: Embora constrangedor, já que a cerimônia é realizada na igreja que promove o concílio, normalmente na presença dos membros, parentes e amigos, além da representação denominacional, esse percentual sugerido encerra a ideia de legitimidade do processo, porquanto é ali o ambiente próprio para que cada candidato demonstre o seu preparo.

No ato do concílio deve o pastor presidente da igreja instalar uma assembleia, delegando-se poderes a diáconos e pastores eventualmente presentes, em seguida eleger uma diretoria, que deverá ser composta por

  1. a) Presidente (Via de regra, elege-se o próprio pastor titular da igreja promotora da cerimônia),
  2. b) Examinador e
  3. c) Secretário.

Uma vez aprovados, elegem-se também:

  1. a) Mensageiro ocasional
  2. b) Responsável pela entrega da Bíblia ao novel diácono; e
  3. c) Responsável pela oração de consagração.

Sendo redundante de propósito, apesar do peso do conhecimento do candidato, que deve ser demonstrado no cotidiano da igreja local e especialmente no dia do concílio, o diácono que cumprir com lealdade o seu ministério de serviço à luz da Bíblia, tudo fazendo para dignificar o papel do diácono que ele abraçou e com oração e imposição de mãos foi consagrado. Diácono que serve é aquele que não está preso às três mesas (do Senhor, do pastor e dos necessitados). Diácono que serve não aquele que somente distribui a ceia do Senhor. Não é aquele que faz plantão sob o signo da obrigação. Não é aquele faz visitas para cumprir protocolo ou para receber elogios em público na primeira oportunidade. Não é aquele que se porta como “fiscal” da igreja. Não é aquele que se julga melhor do que os outros.

Se me fosse dado o privilégio de sugerir perguntas e ou informações que não poderiam deixar de ser feitas a qualquer candidato, por ocasião do concílio, estas seriam as minhas, além de muitas outras que oportunizam ao candidato demonstrar os seus conhecimentos adquiridos ao longo da sua vida cristã e especificamente no período probatório:

  1. Experiência de conversão ao evangelho de Jesus Cristo;
  2. Convicção do chamado para o ministério do serviço, com pleno entendimento do trinômio contido em Atos 6.3: “boa reputação”, “cheio do Espírito Santo” e de “sabedoria”;
  3. Entendimento sobre os atributos e as atribuições do diácono no cotidiano;
  4. Fidelidade às doutrinas defendidas pelos batistas e demonstração de conhecimentos de algumas delas, exemplificativamente, bem como conhecimento razoável sobre a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira;
  5. Relacionamento com o pastor, com os demais diáconos, com os membros da igreja, com a comunidade local, com a família, bem como o seu posicionamento relacionados a questões controversas, tais como a) homossexualidade; b) aborto; c) pena de morte; d) eutanásia; e) porte de arma, e f) relação Estado x igreja (ou simplesmente política x igreja); e
  6. Acima de tudo, é preciso saber se o candidato é um servo obediente a Deus e fiel a Jesus Cristo, que é a razão da nossa motivação para o serviço.

Para finalizar, esclareço que iniciei este artigo dizendo que tenho atuado a contragosto como examinador porque quase sempre o examinador é visto como “bicho papão”.

Autor: Jonatas de Souza Nascimento, diácono da PIB em Centenário (Duque de Caxias-RJ) e vice-presidente da Adiberj – Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro – Seção Duquecaxiense.

 

 

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