Larguei carreira e dinheiro para SEGUIR E SERVIR A CRISTO

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Vez por outra (e eu muitas vezes já incorri nesse erro) vejo um líder dizer que largou a carreira, um empregão, possibilidades imensas de progresso financeiro e outras vantagens, para servir a Cristo num determinado ministério ou organização convencional. É temeroso ficar repetindo isso. Jesus não obrigou ninguém a largar vantagens financeiras imensas para servi-lo. É só darmos uma olhadela em Mateus 16.24-27, que veremos esta verdade. Não fizemos nenhum favor a Deus tendo largado tudo o que achamos vantajoso para mergulharmos no mar da vocação e da diaconia cristãs. O que me parece é que a pessoa está desvalorizando o seu novo trabalho que, na verdade, tem um princípio vocacional muito forte. Ou dizer que deixou um grande tesouro por um menor. Na verdade, é o contrário.

Jesus contou a história de um homem que vendeu tudo para comprar um campo onde ele encontrou um enorme tesouro (Mt 13.44). Se ele vendeu tudo, é porque aquele campo com o tesouro era muito mais valioso. O líder cristão não deve ficar fazendo esse tipo de comparação. Pode até contar com muita sabedoria e discernimento a sua experiencia, mas sempre valorizando a segurança do Reino de Deus. Às vezes vejo alguém dizendo: Ah, larguei um emprego federal para ser pastor; um empregão numa multinacional para ser executivo de uma organização evangélica (em nosso caso, batista). Deixei a segurança de lá para viver uma outra realidade cá. Larguei pecúlio e outras vantagens para “servir” o Senhor.

Se o líder largou o seu trabalho por um ministério que, na sua convicção veio de Deus, porque ficar repetindo a mesma história. Isso muitas vezes se torna enfadonho, cansativo e não edifica quem quer que seja. Com o Senhor Jesus, aprendemos a negar-nos a nós mesmos e tomarmos a cruz. Isto é compromisso inadiável e inalienável. A nossa decisão deve ser sempre alinhada com a vontade do Pai. A nossa alegria deve sempre estar nele. Na verdade, estamos satisfeitos nele. O Senhor Jesus é o nosso exemplo de renúncia, entrega e contentamento. A missão do Mestre era fazer toda a vontade do Pai. É nesta convicção que o nosso coração deve descansar. Aliás, o texto de Mateus 6.25-34, deve ser a nossa leitura diária.

Servir a Cristo é o maior privilégio para o homem ou para a mulher. Paulo considerou todas as coisas como esterco para conhecer a sublimidade do Senhor Jesus Cristo (Fil 3.8-11). Quem renuncia o que tem não fica com saudosismo ou tentando justificar humanamente a sua decisão. Paulo sempre foi um modelo de abnegação. Este foi o seu testemunho aos pastores de Éfeso (At 20.24).

Quantas vezes contamos a nossa história de renúncia para impressionar os outros. Parece que queremos anestesiar a consciência repetindo a nossa trajetória de “largar tudo” para servir a Cristo, para trabalhar tempo integral em Sua obra. Não nos esqueçamos: Deus não chamou homens extraordinários para um trabalho comum, mas homens comuns para um trabalho extraordinário. O nosso chamado é sublime. É fruto da graça e soberania de Deus. A vocação genuína é irrevogável. Incomparável e insubstituível.

Deus quer que nós floresçamos onde estamos plantados. Ele quer que contemos aos outros os Seus grandes feitos na História. Ele nunca chamou homens desocupados. Ele sempre chamou homens simples e abnegados. O exemplo é o grupo dos Seus discípulos. Mais uma vez, Deus não faz nenhum favor a nós em ter-nos chamado. Deus não precisa de nós. Somos nós que precisamos muito, mas muito dele (João 15.5). Se deixamos carreira, empresa, negócios, oportunidades imensas de prosperidade é porque servi-lo é infinitamente melhor. Esta decisão não é emocional, mas espiritual. Paremos com esse saudosismo disfarçado. Evitemos atitudes piegas. Não permitamos ser conduzidos por comparações. O nosso chamado é incomparável. Em nossa vocação, não havia, não há e nem haverá mérito nenhum nosso. Todo o mérito do nosso chamado, da nossa vocação, é de Cristo Jesus, Salvador e Senhor nosso. Tudo o que devemos realizar é sempre para a Glória do Pai (1 Co 10.31) Louvado seja o Senhor pelo chamado irrevogável!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
www.oswaldojacob.com

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