Diáconos para este tempo

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Os apóstolos da Igreja Primitiva estavam experimentando um grandioso tempo em suas lides ministeriais. A Igreja crescia e prosperava em todas as direções. O número de convertidos aumentava diária e continuamente. Chegou um determinado momento em que questões ligadas à doutrina e administração se colidiram. O processo se avolumou de tal forma que foi necessária uma enérgica ação por parte dos pastores daquela Igreja. O texto de Atos 6.1-7 narra, de forma clara, a ação apostólica.

O ministério diaconal teve início diante de um conflito de competências. Os próprios apóstolos declaram publicamente: “Não é razoável que nós abandonemos a Palavra para servir às mesas”. Eles estavam afirmando com clareza: “Não estamos tendo tempo de nos concentrarmos na preparação da pregação”. Eles sabiam que a pregação era vital para o crescimento qualitativo da Igreja que o Senhor Jesus lhes havia confiado a liderança. Caso fracassassem na explanação da Palavra, o progresso e adensamento da Igreja estaria seriamente comprometido.

Naquele momento, o Espírito Santo de Deus lhes autorizou a convocar ministros auxiliares, que receberam o nome de diáconos. Esse ministério expandiu-se, cresceu e desenvolveu-se, confirmando aquela sábia decisão dos pastores. A história tem registrado a trajetória de homens e mulheres – diáconos e diaconisas – que, com amor, dedicação e submissão, auxiliam, apoiam e vivem a gloriosa mensagem do Evangelho do Senhor Jesus. São homens e mulheres de oração, fé e íntima vivência com Deus. Embora muitos sejam humildes, são grandiosos naquilo que realizam.

O ministério Diaconal é o imediato auxiliar idôneo do ministério Pastoral. Esses servos e servas são pessoas dotadas de amor fé, piedade, misericórdia e compromisso naquilo que realizam. São vidas preciosas que se doam por completo ao Serviço do Reino de Deus, amigos constantes e fiéis na intensa labuta ministerial.

Pastores e diáconos são nomes bíblicos, neotestamentários, intimamente ligados ao desenvolvimento da Igreja ao longo dos séculos. Eles traduzem dignidade, companheirismo e fidelidade no trato de tudo aquilo que envolve o Reino de Deus e a Sua justiça. São trabalhadores do Reino, defensores da causa do Mestre, batalhadores diligentes pela fé que, de uma vez por todas, foi entregue aos santos (Judas 3).

O historiador e médico Lucas, assim como o apóstolo Paulo e o próprio Senhor Jesus, apresentam-nos fundamentos imutáveis para o exercício diaconal. Esses ensinos levam-nos a entender que o diaconato pode ser considerado também um fundamento doutrinário para a Igreja. A tese de que a Igreja só tem dois tipos de oficiais, pastores e diáconos é totalmente verdadeira. Assim como um ministro de Estado tem a sua função relativa ao Presidente da República, o diaconato existe em função das necessidades da Igreja, relativas a determinado ministério pastoral. Pode-se entender, com esse pressuposto, que quando um pastor supre todas as necessidades da Igreja, o diaconato perde a razão de ser. É um ministério intimamente ligado ao pastorado.

A designação dos sete para tomarem a direção de ramos especiais da Igreja tornou-se uma grande e divina estratégia para abençoar a todos aqueles irmãos da efervescente e missionária Igreja de Jerusalém. Estes oficiais levaram em consideração as necessidades individuais, bem como os interesses financeiros gerais da Igreja; e, pela sua gestão cautelosa e espiritual, regida por um espírito de misericórdia e piedade cristã, foram importantes auxiliares em conjugar os vários interesses da Igreja em todos os aspectos. A Igreja foi introduzindo mudanças em sua liderança ao longo dos séculos, mas a Bíblia não mudou. O relato de Atos 6 continua vivo e muito ativo em nossas práticas eclesiásticas. O diaconato, portanto, continua sendo esse grupo seleto, com fundamento bíblico, designado para ser o auxiliar idôneo dos pastores da Igreja local.

O diaconato é um ministério digno e belo. As muitas dificuldades que pastores enfrentam, na liderança de suas Igrejas, possivelmente seriam amenizadas se houvesse melhor compartilhamento com diáconos. Os tempos são difíceis. Os pastores precisam de mais tempo para se dedicarem “A oração e estudo da Palavra”. Essa soma de ministérios autênticos pode ser a solução para que na atualidade tenhamos Igrejas firmes, fortes e “Edificadas sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20). Precisamos, sim, de mais diáconos e diaconisas para um tempo como este.

Pr. Noélio Duarte, da Primeira Igreja Batista em Caramujo-Niterói/RJ
Conselheiro Espiritual da ADBB (2015-2017), escritor, conferencista, membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB)

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