Infância Perpetuada

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“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” (1 Coríntios 13.11)

Paulo lançou mão do processo natural de amadurecimento que envolve a nossa vida para nos falar sobre questões de nossa alma e espiritualidade. Nosso corpo segue um processo de amadurecimento cronológico, avançando ao próximo estágio levado pelo tempo. Não conseguimos freiar isso, embora desejemos e até tentemos. Podemos conquistar algum espaço, mas inexoravelmente, o tempo fará o seu trabalho. Há um filme que propõe um processo inverso. O homem nasce idoso e morre criança – “O Estranho Caso de Benjamim Button”, com Brad Pitt e Cate Blanchett. Uma obra com provocações interessantes. Na vida real a história é outra.

Tornar-se homem, tornar-se um ser adulto, envolve mais que envelhecer. Envolve desenvolver-se, conquistar uma alma madura. Envolve superar ilusões e fantasias, assim como ser capaz de voltar-se para os valores e princípios essenciais da vida, Envolve saber valorar a vida, em lugar de ficar persistentemente apegado a superficialidades e a questões de menor relevância. Mas às vezes perpetuamos nossa infância, seguindo pela vida com um olhar de criança. Não no bom sentido do termo, mas em outro, significando nossa incapacidade de lidar com a vida e desvendá-la, realizando um propósito que honre a Deus e abençoe pessoas.

A ganância, o orgulho, a prepotência, o apego ao poder, a incapacidade de perdoar, a falta de respeito e amor ao próximo, o ódio e a mágoa, e coisas semelhantes a essas, são indicativos de nossa vida infantilizada. Não nos emancipamos para protagonizar a vontade de Deus. Ao contrário, insistimos em nos encontrar apenas na realização de nossos desejos, sem nos deixar envolver pelo amor e propósitos do Criador. Crianças com poder, com faca na mão, com a chave do carro, são os riscos para si mesmas e para outros. Isso explica muito da dor que há no mundo. “Homens com tanto poder, mas nenhum coração” (João Alexandre). E há quem diga que o culpado é Deus!

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