Jesus, o nosso modelo pastoral – III

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Um ministério voltado para o discipulado

Em todo o Seu ministério o Senhor Jesus estava comprometido com a escolha e o treinamento de pessoas para o exercício da Missão do Pai. O evangelho de Marcos é a nossa base para desenvolvermos este tema. Jesus chama os pescadores Pedro, Tiago e João no primeiro momento para serem pescadores de homens (1,16-20) e, num segundo momento, chama outros para somarem a eles (3.13-19). Num outro texto (6.7-13), Ele dá algumas instruções muito valiosas. Há três pontos aqui no espectro do discipulado: autoridade espiritual (v.7); dependência de Deus (v.8); e seriedade com a mensagem (vv.10,11). Observemos que nos versos 12 e 13 há a aplicação do que eles aprenderam como discípulos: pregavam com poder e autoridade. Pessoas se arrependiam e eram libertas dos demônios, das forças do mal, pelo poder do Senhor. Os milagres aconteciam pelo poder da Pessoa suficiente de Cristo. O poder do nosso ministério não está em nós, mas em Cristo Jesus, o nosso modelo de Pastor.

O discipulado é uma característica do ministério pastoral de Jesus. A vida do Mestre estava ligada à dos discípulos. A formação de discípulos era o Seu foco a partir da salvação (Lc 19.10). Então, o Seu objetivo era buscar e salvar o perdido e fazê-lo semelhante ao Pai. A ordem de Paulo aos irmãos em Éfeso era: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a Si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (5.1,2). Aqui está a essência do discipulado: imitar o Pai com base na obra do Filho – uma obra de amor extravagante e incomparável. Cristo morreu por nós para que morrêssemos com Ele para darmos fruto. O grão de trigo morre para frutificar (João 12.24). É a vida que nasce da morte. A nossa vida deve ser uma vida de muito fruto (João 15), mas não na perspectiva pragmática. Glorificamos a Deus quando damos MUITO FRUTO (João 15.8).

Todo o treinamento de Jesus estava comprometido com o fazer a vontade do Pai. O centro da vontade de Cristo, o Filho, era a vontade soberana do Pai. Ele sempre dizia: não a minha, mas a tua vontade (Mateus 26.39). Não o que eu quero, mas o que tu queres. Em todo o treinamento que ele fazia com os Seus discípulos, a vontade do Pai era o cerne. Ele foi um filho obediente que deu muito prazer ao Pai. No discipulado, o Senhor nos ensina a fazer a vontade de Deus Pai, a estar no centro da Sua vontade. A caminhada do discípulo de Cristo é estreita, tem espinhos, pedras, barreiras, lutas, dificuldades, sofrimento, aflições. Evidentemente nEle nós somos mais que vencedores porque o nosso foco é Ele, somente Ele (Mateus 16.24-27; Romanos 8.37).

O discipulado empreendido por Jesus leva muito em conta o valor do compromisso de vida. Este valor está na profundidade do testemunho de Paulo aos Gálatas: “Não mais eu, mas Cristo”. Por que? Já estou crucificado com Cristo (Gl 2.20). A obra de Cristo está consumada. Devo confiar no que Ele fez. Discipulado é a formação do caráter de Cristo no discípulo para que agrade ao Pai, servindo-O com alegria e singeleza de coração. O nosso Deus precisa ver a vida de Cristo, Seu Filho tão amado, na vida dos que crêem, na vida dos pastores-discípulos. Paulo mais uma vez diz: “Para mim o viver é Cristo” (Fil 1.21). É a vida de Cristo em nós. Mais uma vez Paulo testemunha: levando o morrer de Jesus (a cada dia) para que a Sua vida se manifeste em nossa carne mortal (2 Co 4.10). O modelo pastoral de Jesus enseja discipulado a cada dia para a glória de Deus, o Pai. Não como uma vida de programa, de eventos, mas um estilo de vida semelhante Àquele que deu a Sua vida por nós.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
pitzerjacob@gmail.com

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