Não há rosas sem espinhos

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Vale dizer que não há contentamento, prazer, aroma agradável sem o sofrimento, o reconhecimento das nossas limitações, falhas e hecatombes da vida. Há uma conexão entre rosas e espinhos. Estão na mesma planta. Eles se alimentam e se retroalimentam. Coexistem. Fazem parte da vida, do conteúdo do arbusto. Momentos de alegria, satisfação, festa alternam com tristeza, angústia e ambiente fúnebre. A vida é feita de bonança e tempestade; enseada e mar revolto; ventos fracos e furacões; chuva fina e tromba d’água; saúde e doença. O segredo é como reagimos a estas realidades, e se a nossa resposta ocorrerá na perspectiva de Cristo, em função dos Seus ensinos.

O Senhor Jesus mesmo disse aos Seus discípulos: No mundo vocês passarão por tribulações, aflições, ou seja, dores, enfermidades, desemprego, angustias profundas, perdas, decepções, injustiças, mas, ao mesmo, Ele disse: “tenham bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33). A vida cristã – a vida de Cristo em nós –, é uma vida de lutas ferrenhas. Diferente das pessoas sem Cristo, nós, cristãos, aprendemos com o nosso Salvador e Senhor que o sofrimento faz parte do nosso dia a dia e traz crescimento, maturidade, à medida da Sua estatura. Paulo aprendeu a ficar contente em toda e qualquer situação. Este é o seu testemunho aos irmãos filipenses (4.10-13). Aliás, é um belíssimo testemunho. Devemos refletir demoradamente nele.

Para experimentarmos o frescor, o colorido e o aroma das rosas, precisamos enfrentar os espinhos. Os espinhos ferem. O sofrimento na vida do cristão não ocorre para que ele fique estagnado, travado, num estado de murmuração, praguejando, reclamando, insatisfeito com a vida, com o Senhor. Não, pois para o cristão o sofrimento é altamente pedagógico e terapêutico. É impressionante o testemunho de Paulo aos irmãos coríntios, em sua segunda carta: “Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns […] como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo e eis que vivemos; como castigados e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo”. (6.4,5; 9,10). O apóstolo aos gentios sabia do enorme valor do sofrimento na vida do cristão autêntico. Ele mesmo ensinou que “os que querem viver piamente em Cristo padecerão perseguições” (2 Timóteo 3.12). Se desejamos viver de Cristo, em Cristo, por Cristo, sob Cristo e para Cristo certamente sofreremos.  Jesus mesmo afirmou no final das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós (Mateus 5.10-12). O mesmo Senhor Jesus afirmou que o caminho da vida – o caminho do Evangelho –, é um caminho apertado e a porta é estreita (Mateus 7.14). Devemos olhar o sofrimento sempre na perspectiva da vida e obra do Senhor Jesus. Ele sofreu de modo atroz por você e por mim (Isaias 53). Ele nos convidou a tomar a cruz e segui-lo (Mateus 16.24-27). Ele nunca nos enganou.

A vida cristã é uma vida equilibrada. Jesus Cristo, Aquele que sofreu, morreu e ressuscitou por nós é o nosso ponto de equilíbrio. Seja qual for a circunstância, precisamos viver contidos no contentamento. O cristão, mesmo no sofrimento, descansa no Senhor e espera nele (Salmos 37.7). Na vida cristã autêntica existem rosas e espinhos. Nós devemos ser o bom perfume de Cristo onde quer que transitemos. Paulo ensina a partir da sua própria experiência: “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o cheiro do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem (2 Coríntios 2.14,15).

Há uma compensação entre as rosas e os espinhos. Entre prazer, alegria, contentamento e o sofrimento, a dor, o desconforto e a angústia profunda. Cada um tem a sua função determinada por Deus, para cumprir os Seus propósitos. Jó experimentou o espinho do sofrimento, das perdas e a rosa do contentamento, da alegria, dos ganhos e do prazer em Deus (Jó 42.1-17). No princípio, Jó não entendia as razões da sua duríssima provação. Há um contraste entre os capítulos 1- 41, e o capítulo 42. À semelhança de Jó, temos dificuldades de fazermos uma leitura do nosso contexto de sofrimento. Sentimo-nos injustiçados. Certa vez John Piper, apreciado escritor cristão, acometido de câncer, afirmou enfaticamente: “Bendito câncer!”. Ele compreendeu os espinhos da parte de Deus. Benditos os espinhos que nos ferem e nos fazem crescer na semelhança de Cristo Jesus. Ele prometeu estar conosco todos os dias até à consumação dos séculos (Mateus 28.20). Deus é glorificado quando somos gratos pelas rosas e pelos espinhos em nossas vidas.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
pitzerjacob@gmail.com

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