Arrependimento sem conversão é encenação

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Quem já leu com atenção os diálogos entre Jesus e Pedro nos Evangelhos certamente constatou que essas conversas eram sempre intensas. Uma das mais acaloradas foi quando os discípulos estavam debatendo quem seria o maior no reino prometido por Jesus. Entre outras abordagens, o Mestre se dirigiu a Pedro e disse: “Quando tu te converteres, confirma os teus irmãos” (Lc 22:32b).

Não sei se está claro para todos o quanto essa expressão é comprometedora e séria. Afinal, Jesus está dizendo a um de Seus discípulos que “se converta” – alguém que já havia convivido com Ele por cerca de três anos, que tinha passado por muitas experiências marcantes, mas que aparentemente não tinha se convertido até aquele momento. Fico pensando quantas pessoas não se enquadrariam hoje na mesma situação, talvez com muito tempo de igreja, mas ainda sem uma conversão genuína.

Infelizmente, muitas vezes deixamo-nos levar por estereótipos que nós mesmos criamos e legitimamos. Quando queremos constatar se uma pessoa se converteu, olhamos para a forma como ela fala, como se veste, como gesticula, como se comporta no louvor durante o culto… Contudo, todas essas expressões são apenas estéticas, podendo facilmente ser reproduzidas sem nenhum fundo de autenticidade. Sim, tem gente que finge ser convertido e talvez nem saiba que está apenas teatralizando.

Não proponho aqui uma cruzada para denunciar falsas conversões, até porque essa tarefa não nos foi atribuída por Jesus. Minha reflexão vai no sentido de que devemos estar atentos a quem temos dado ouvidos, a quem temos elogiado, a quem temos honrado como “pessoas de Deus”. O pré-requisito básico de uma conversão genuína é o arrependimento; ou seja, a pessoa se arrepende de seus pecados, Deus a perdoa e lança no mar do esquecimento seus erros, promovendo uma virada de página em sua vida. Significa dizer que a comprovação natural do arrependimento é a mudança e, por isso, a evidência da conversão é a transformação do caráter, dos valores, dos princípios e, quase sempre, do comportamento.

Mais uma vez não nos cabe julgar, mas também não podemos nos deixar enganar. Palavras bem colocadas, carisma e boa argumentação podem eventualmente dar um aspecto de mudança, de conversão; mas logo a vaidade, o orgulho, a altivez, a arrogância e a prepotência aparecem e revelam a encenação. Por isso, cuidado com quem você tem se associado, cuidado com as pessoas às quais você tem dado ouvidos, cuidado com aqueles(as) a quem você tem admirado; você pode estar sendo enredado(a) numa armadilha maquiavélica.

O Diabo nada mais é do que um grande enganador. Ele tenta nos driblar dizendo que algo errado não é tão errado assim. Ele tenta nos iludir dizendo que determinada pessoa mudou de verdade. Ele tenta nos burlar querendo nos convencer de que basta parecer que somos convertidos que tudo bem.

Jesus não quer ao Seu lado pessoas que reproduzam um estereótipo, mas indivíduos verdadeiramente convertidos. Certamente, Pedro não era o único discípulo que ainda não havia se convertido. Judas, por exemplo, não se converteu e ainda recusou todas as oportunidades para isso. Seu fim foi a morte emocional, relacional, física e espiritual.

Converta-se hoje, converta-se todos os dias e viva uma vida livre e verdadeira!

Por Tiago Valentim

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