“Nunca renunciei Jesus”, diz nigeriana que foi estuprada por ser cristã

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A violência sexual se tornou uma característica da insurgência no Nordeste da Nigéria, onde milhares de mulheres e meninas foram sequestradas e estupradas pelo grupo extremista islâmico Boko Haram.

Uma delas é Esther que, durante um ano, foi mantida em cativeiro e engravidou após frequentes estupros. A pequena Rebecca, sua filha, é conhecida em sua aldeia, na cidade de Gwoza, como “Boko”.

O período nas mãos do Boko Haram foi o pior pesadelo para Esther, de 17 anos. Na Floresta de Sambisa, os terroristas tratavam com violência as meninas sequestradas para que elas renunciassem sua fé em Cristo e se tornassem muçulmanas. No entanto, ela decidiu em seu coração: se for para eu morrer, morrerei. Mas não me tornarei muçulmana.

“Não consigo contar quantos homens me estupraram. Toda vez que eles voltavam de seus ataques, eles nos estupravam”, disse Esther à organização Portas Abertas. “Cada dia que passava, eu me odiava cada vez mais. Eu senti que Deus me abandonou. Houve momentos em que eu estava tão brava com Ele. Ainda assim, não conseguia renunciar a Ele. Eu me lembrava de Sua promessa de nunca me deixar ou me abandonar”.

Por causa dos frequentes abusos, Esther ficou grávida, mas ela não sabe quem é o pai. “Eu não tinha ideia de como eu poderia amar essa criança”, conta a jovem, lembrando de como se sentiu quando soube que estava grávida.

Depois de ser resgatada por militares nigerianos, em novembro de 2016, Esther voltou para sua aldeia esperando encontrar apoio, mas grande parte da comunidade a rejeitou e rotulou as meninas sequestradas de “mulheres do Boko Haram”.

Esther encontrou perseguição onde ela menos esperava, “Eles zombaram de mim porque estava grávida. Mesmo meus avós me desprezaram e me chamaram de vários nomes. Derramei muitas lágrimas. Eu me senti muito sozinha”, lamenta. “O que quebrou meu coração, ainda mais, foi que se recusaram a chamar a minha filha de Rebecca. Eles se referiam a ela apenas como ‘Boko’”.

Aos pés da cruz

Esther encontrou apoio através de seminários promovidos pela Portas Abertas, no qual os líderes ensinaram as meninas que passaram pelo trauma a derramarem sua dor “aos pés da cruz”. Elas escreveram todas as suas angústias em um pedaço de papel e colocaram numa cruz de madeira que havia no local.

“Quando coloquei aquele pedaço de papel na cruz, senti como se estivesse entregando toda a minha tristeza a Deus”, lembra Esther. “Quando o treinador removeu todos os pedaços de papel da cruz e os queimou, senti como se minha tristeza e vergonha tivessem desaparecido, para nunca mais voltar”.

Apesar da rejeição de sua aldeia, muitos puderam notar que Esther estava diferente. “As pessoas notaram uma mudança. Algumas dessas pessoas que costumavam me zombar agora me perguntam o meu segredo. Eu digo: ‘Perdoei meus inimigos e confiei em Deus para se vingar no tempo Dele”.

Hoje, Esther e sua filha vivem com seus avós, recebendo apoio espiritual e material da Portas Abertas. A criança que a jovem acreditava que nunca poderia amar, se tornou a coisa mais importante de sua vida. “Rebecca se tornou minha alegria e riso em meio à tristeza”.

Com informações do Portas Abertas

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