O monte está vazio…

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Moisés, usado por Deus, tirou o povo do Egito, da servidão a que eram submetidos por séculos. Após a travessia do Mar Vermelho e outras tantas dificuldades de logística e controle, subiu o monte. Ah, tempo santo que viveu! Por quarenta dias ouviu do Criador a própria voz e trouxe a Lei que perpetuava os valores eternos dAquele que os criara! Posteriormente, devido aos problemas do povo, Moisés repetiu a dose, voltanndo ao local. E sempre que buscava ao Senhor voltava com o rosto resplandecente. Hoje, contudo, o monte está vazio…

Elias, profeta da mais alta envergadura, lutou contra o sincretismo religioso do rebelde povo israelita e de seus reis ímpios. No poder de Deus enfrentou os profetas de Baal e os reis idolatras do Reino do Norte. Mas sucumbiu em desespero e medo ante as ameaças da rainha feiticeira, Jezabel. Para onde foi? Para o monte. Ah, o monte do encontro, da luta, da fuga, do refúgio. Lá, numa experiência única e memorável, viu coisas maravilhosas: terremoto, vendaval, fogo e, finalmente, uma brisa mansa e tranquila onde escutou a voz de Deus. Foi restaurado e completou o ministério. Venceu o medo e pos-se a voltar, completando a obra. O monte foi um divisor de águas na vida do desanimado profeta. Hoje, contudo, o monte está vazio…

O Senhor Jesus estava em pleno ministério terreno, cumprindo cada profecia messiânica do Velho Testamento. Precisava preparar os seus enviados, aqueles que levariam as boas-novas de salvação do Reno Eterno. Contemplava, contudo, uma geração má e adúltera, um povo ímpio e sem escrúpulos, tudo aquilo que a humanidade se tornou sob o domínio do pecado. Então subiu o monte. Orou a noite inteira. Se havia homem no mundo que não precisaria orar tanto tempo era Ele, pois fazia parte da propria divindade, era o Filho Amado. Mas dEle, de quem se podia esperar menos, vemos o mais alto e profundo compromisso de privar-Se com o Pai Celeste, com quem tomaria a épica decisão de escolher os doze apóstolos. Oh, noite jubilosa, quando, na mente do Amado, desfilaram nomes e mais nomes, até que se chegasse à conclusão definitiva de quem eram os eleitos (não que não soubesse, mas, como o Filho e Servo Sofredor, privara-Se e esvaziara-Se , demonstrando completa obediência). Desceu do monte da madrugada decidido a nomear os doze, inclusive o próprio traidor. Hoje, contudo, o monte está vazio…

Nós até falamos dele, sabemos onde fica; conhecemos a sua vegetação e topografia. Temos um GPS que mapeia a sua estrada e mostra onde estão os obstáculos. Calculamos a que distância encontra-se e quais os melhores horários para visitá-lo. Agendamos costumeiramente uma boa visita, um tempo para desfrutar de seu ambiente, de suas renovadoras atmosferas. Às vezes nos colocamos a caminho, tentando subi-lo. Mas paramos no caminho ao surgir a primeira lágrima, o primeiro bocejo de sono, o primeiro desânimo. O monte anda vazio, solitário, sem ninguém...

Quantos heróis da fé o conheceram! Ali, naquele monte, travaram suas batalhas, suas lutas. Ali tomaram decisões, venceram o inimigo. Ali curaram-se das doenças, venceram desânimos, extinguiram a depressão! Ali confortaram-se do luto, reformularam os seus propósitos, domaram as feras de suas próprias carnalidades, cicatrizaram as feridas e reencontraram no Senhor o grande objetivo de suas vidas!

Falo do MONTE DA ORAÇÃO, que nem é geográfico necessariamente. Daniel, o profeta, encontrou-o na cova dos leões e na janela aberta de sua casa. Jonas, também profeta, no ventre do grande peixe. Jeremias numa lamacenta cisterna onde quase se afogava. Jacó, no deserto, com a cabeça sobre uma pedra. O rei Ezequias no leito da enfermidade. Ana, nas imediações do tabernáculo de Israel. Maria, na solidão do encontro com o Anjo Gabriel. Poderíamos escrever inúmeros outros encontros, travados pelos heróis bíblicos, no monte da oração. A história da igreja cristã está repleta de exemplos de decisões acertadas, tomadas após um repasto farto e precioso nos frutos abundantes do monte da oração.

Melhor do que fotografá-lo, melhor do que conhecer sobre ele, melhor ainda do que contar a história de tantos que ali subiram, é colocar-se a caminho e ir até o seu topo, buscando ao Senhor enquanto se pode achar. Sua estrada continua aberta, sua subida íngreme continua desafiadora, seus elevados patamares continuam a exigir dos viajores um grande esforço e determinação. Mas o fruto deste encontro é líquido e certo: E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. (Jr 29:13). Um crente verdadeiro encontra a solução de suas lutas ao subi-lo: A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tg 5:16). O Filho de Deus garante o encontro: Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. (Mt 7:8).

Vamos subi-lo? Vamos ao seu topo? Vamos ao encontro do Pai? Pode ser no quarto fechado, na estrada do andarilho, na mesa de trabalho, no campo, na cidade, durante o dia ou em plena noite. Não importa. O monte estará lá, aguardando os heróis da fé, que não ousam viver, tomar decisões ou dar um só passo sem o revestimento do Alto, sem a bênção de Deus, sem a orientação dos céus! E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. (At 4:31)

Termino aqui, pois ao monte devo subir. Que Deus nos abençoe!

Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba – São Paulo
Colaborador deste Portal

 

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