Dois Finais

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Aquele cristão está acamado, enfermo, envelhecido e prestes a partir. A família chama o pastor. Em pouco tempo ele chega, entrando no quarto do irmão.

– Olá, irmão Silveira. Eu vim orar com o irmão.

– Ah, pastor, ore mesmo! Sinto-me infeliz e desesperado.

– Conte-me, irmão! O que sente?

– Sinto-me arrependido. Profundamente arrependido.

– Quer repartir comigo?

– Sim, pastor. Arrependo-me de ter gasto o meu tempo na igreja. Enquanto tinha saúde poderia ter aproveitado o meu tempo, saído com os amigos, bebido com prazer, ido a baladas e feito tudo o que eu chamava de pecado. A vida acaba e não nos sobra nada! Olhe para mim! Trinta anos gastos na igreja, em oração, vigílias, cultos, amizades restritas, só com a Bíblia e com coisas da fé. Hoje estou aqui, moribundo, a morrer, frustrado por não ter sido feliz e nem conseguido realizar as coisas que queria. E pra quê? Pra chegar ao fim igualzinho ao outro que fez tudo o que quis! Isso não é justo! Meu Deus, que desgraça é a vida! Como me arrependo!

O outro cristão também está prestes a morrer. Na cama, pede para chamar o pastor. A família corre. O pastor chega. Entra no quarto e conversa:

– Olá, irmão Junqueira. Vim orar consigo.

– Ah, pastor, que bom! Como sou grato! Preciso confessar algo.

– O que deseja confessar?

– Pastor, como eu queria ter sido um crente melhor! Jesus Cristo foi tão bom para comigo! Hoje eu estou em paz, fruto de Seu amor e sacrifício. E o que fiz para Ele? Foi tão pouco! Como eu gostaria de ter sido um crente mais consagrado!

– Mas, irmão, se há um bom crente, esse homem é o irmão!

– Obrigado, pastor. Mas Jesus merecia muito mais de mim! Ele é tão maravilhoso! Ele é amigo, é irmão, é Salvador! Ele está comigo agora! Estou com receio de passar pela morte, porque eu nunca morri e não sei o que se sente. Mas eu creio que o Senhor estará comigo. Oh, Senhor, graças Te dou! Obrigado, meu Salvador!

Dois finais. Dois homens. Dois destinos.

O primeiro foi um cristão nominal. Coxeou entre dois senhores, ainda que se parecesse com alguém que conhecia ao Deus a quem professava. O seu coração não estava na fé que expressava. Vivia a olhar para trás, pensando no que deixara. Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu. (1Rs 18:21); E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus (Lc 9:62); Lembrai-vos da mulher de Ló. (Lc 17:32).

O segundo foi um cristão legítimo. Por mais que fizesse ao seu Senhor, sentia-se sempre aquém do que poderia ter sido, sentia-se a fazer menos do que deveria ter feito. Não coxeou, não lamentou o que perdera, pois o ganho foi muito maior. Para Ele Jesus era o bastante. Era um homem grato! Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. (Lc 17:10); Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? (Sl 116:12); Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. (Sl 23:4).

Eu creio piamente que o conselho de Josué faz-se necessário a cada um de nós. Que estejamos certos de que desta escolha será também definido o nosso destino. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. (Js 24:15)

Sou grato a Deus, que um dia chamou-me para o Seu Reino e me deu uma nova vida. Seguirei com Ele até o final. Que Ele me dê a graça de nunca, jamais olhar para trás! Afinal, como disse Pedro, o Apóstolo, “Para onde iremos nós, pois só Tu tens palavras de vida eterna!”

Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba – São Paulo
Colaborador deste Portal

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