A oração do publicano

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“Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.” (Lucas 18.13)

Há algum tempo tenho prestado mais atenção e orado de forma mais consciente a Oração do Pai Nosso. Durante muito tempo resisti a isso por ser extremamente crítico à ideia de repetir uma oração em lugar de fazer a minha, de forma espontânea. Crítico ao ponto de pensar que não haveria valor algum em orar a Oração do Pai Nosso, pois seria apenas uma repetição sem sentido. Mudei minha forma de pensar. Ainda acho que orar mecanicamente, como se apenas o ato de pronunciar as palavras fosse portador de um poder místico, é algo a que não devemos nos acomodar. Mas isso se aplica a qualquer oração, inclusive às nossas orações espontâneas. Por outro lado, tenho  descoberto o valor de orar conscientemente a Oração do Pai Nosso. Ela tem muito para nós. Há bênçãos na oração espontânea e há bênçãos na oração que poderíamos chamar de litúrgica.

A Oração do Pai Nosso é espetacular e a oração do publicano da parábola de Jesus também tem seu valor. E pode ser muito útil em nossa vida. Pode ajudar-nos a desenvolver um coração melhor, um espírito melhor. Nela somos colocados diante de Deus para pedir misericórdia porque somos pecadores. Como qualquer oração ela precisa ser feita com integralidade. Não pode ser uma mera formalidade religiosa. Note como o publicano a fez: nem ousava olhar para o céu e batia no próprio peito em sinal de arrependimento. Antes de pronunciar palavras a Deus devemos submeter o coração a Ele. Devemos procurar falar a partir de dentro, do lugar mais secreto e verdadeiro do nosso ser. Às vezes o que temos a dizer somente Deus pode ouvir. É preciso que seja assim para que orar seja de fato uma experiência de encontro e conversa com Deus.

Às vezes usamos palavras como se fosse enchimento de almofadas: apenas com o propósito de preencher o espaço. Às vezes usamos palavras para ocultar a verdade ou para nos ocultarmos. Às vezes as usamos como argumentos para convencer e levar os outros a fazerem o que queremos. E para isso escolhemos as palavras mais úteis, mais apropriadas para que tenhamos sucesso. Na oração não devemos percorrer nenhum desses caminhos. As palavras não precisam ser muitas. Aliás, talvez seja melhor que sejam poucas, como fez o publicano. Devem fazer sentido, tendo em vista o nosso coração, pois devem revela-lo a Deus. Não dependemos das palavras, pois Deus tudo sabe. Mas usar as mais verdadeiras é importante para nós. Pois na oração, é por meio das palavras que nos damos a Deus e nos submetemos. Ore algumas vezes a oração do publicano. Ore com calma. Faça dela a sua oração. Ele disse algo que todos nós precisamos dizer. E mais de uma vez!

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