Chineses escolhem a educação escolar em casa, embora seja ilegal

0
8

É ilegal, mas esses pais chineses dizem que querem tanto o melhor para seus filhos, que estão dispostos a lhes dar educação escolar em casa, se escondendo do governo conforme a necessidade.

A educação escolar em casa (homeschooling) tem crescido há anos nos Estados Unidos, onde há milhões, e há vários países na Europa onde ela está prosperando, embora autoridades governamentais não gostem muito dela.

Agora uma reportagem do jornal South China Morning Post detalhou a comunidade relativamente pequena — mas crescente — de adeptos do homeschooling lá.

A maioria dos pais chineses anseia por ter seus filhos em universidades e depois conseguir um emprego em finanças, medicina ou engenharia.

Contudo, Tsang Tsz-Kin, que é professor de dança, prefere ter seu filho, Ocean, 10, seguindo o que ele quer fazer.

“Pessoas que adoram fazer o seu trabalho não pensarão em trabalhar horas extras,” disse Tsang na reportagem.

Seu filho “assiste a performances online de pingshu todos os dias. Ele gosta de ler as estórias em voz alta com expressões faciais, movimentos das mãos e entonações vocais. Dava para ele ser um DJ quando crescer.”

As aulas incluem chinês, inglês, matemática e muito mais, com seu pai, bem como professores particulares e professores de artes.

A reportagem do South China Morning Post explicou: “Não há estatísticas oficiais sobre o número de pais que dão aos filhos educação escolar em casa na China, e os números extraoficiais variam muito. Os números mais recentes divulgados pelo Instituto de Pesquisa de Educação do Século 21, um think tank, estimaram que havia 6.000 crianças estudando em casa na China em 2016, em comparação a 2.000 em 2013. No entanto, a conta WeChat da China Home-schooling — uma aliança on-line de educadores e pais — tem mais de 23.000 membros.”

A reportagem observou que tem havido tanto interesse que o Ministério da Educação da China emitiu uma sugestão gentil recentemente de que “é proibido realizar educação escolar em casa para substituir a educação obrigatória…”

Mas a China é tão grande, e há tantas pessoas que quem está envolvido na educação escolar em casa simplesmente escolhe cuidar de sua própria vida.

“Cissy Ji, mãe de Ocean, de Qingdao, na província oriental de Shandong, diz que a hukou do Ocean — seu registro doméstico, que governa onde ele pode acessar os serviços públicos — está em sua cidade natal porque nasceu lá,” explicou a reportagem.

“Ele estudou jardim de infância em Qingdao e depois na escola primária [até terminar o primeiro semestre da Primária Três] em Shenzhen [uma cidade no sul da China, na fronteira com Hong Kong] depois que nos mudamos para lá. Embora seja contra a lei não enviar seus filhos para a escola na China, é difícil rastrear esses casos porque [as pessoas se movimentam pelo país],” disse Ji ao jornal.

Uma das razões que muitos pais educadores em casa citam é a “doutrinação entorpecente” das salas de aula do governo, segundo a reportagem.

Outros pais optam por financiar centros educacionais particulares para seus filhos. Um evento recente inclui uma estrutura de 3.000 metros quadrados com 80 professores e mais de 300 alunos.

Fonte: Júlio Severo

Compartilhar

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.