Jesus e a mulher acusada

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“Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe: Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou Ninguém, Senhor, disse ela. Declarou Jesus: Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado.” (João 8.10-11)

Jesus de um lado. Um grupo de homens religiosos, cheios de si e com pedras nas mãos, do outro. Entre eles uma mulher. Frágil, exposta, acusada e sem defesa. Ela havia sido apanhada em adultério.  Sempre me pergunto onde estaria o homem com que ela havia estado. Mas eram tempos em que o homem tinha direitos e desculpas que as mulheres não tinham. Para muitos ainda é assim. Há uma questão levantada com base na Lei de Moisés: a mulher deveria ser apedrejada. Mas eles queriam envolver Jesus na trama e perguntaram se Ele concordava com o apedrejamento. Por algum tempo Jesus não respondeu. Abaixou-se e começou a escrever com o dedo no chão. O que teria escrito? Alguns pensam que talvez uma lista de pecados. Talvez começando com adultério. Mas que continuava com “hipocrisia”, “mentira”, “suborno”, “roubo” e assim por diante. Ou talvez tivesse escrito: “Há um Deus que tudo vê e sabe”. Talvez você tenha outras ideias. As suas também valem pois são apenas suposições.

Diante da insistência dos homens, Jesus levanta-se e diz: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela” (Jo 8.7). Palavras que cortaram a dureza daqueles homens e foram direto às suas almas. O Espírito Divino abriu o porão de cada um deles e o cheiro não era nada agradável. As mãos ficaram frouxas e as pedras caíram no chão. O entusiasmo maligno deu lugar a uma consciência com razões para lamentar e confessar. Silêncio. Cada um foi se retirando, a começar pelos mais velhos. Ficou somente Jesus e a mulher. É notável que ela não tenha corrido. Jesus não a deixou com medo. Havia compaixão em sua atitude. Havia amor. Seu jeito de lidar com a situação era um convite para que ela ficasse. E Jesus conversou com a mulher. Ele poderia atirar a primeira pedra, mas disse: Eu também não a condeno! Palavras benditas! Libertadoras! O dia estava sendo terrivelmente ruim mas, por causa de Jesus, tudo tomava agora um outro rumo. Tão inesperado quanto bendito! 

“Agora vá e abandone a sua vida de pecado”.  Alguns são atraídos de um modo estanho para estas palavras de Jesus. Parece que leem-nas como uma condição. “Eu perdoo MAS AGORA vá e pare de pecar”! Penso ser um engano lê-las assim. Prefiro lê-las: “Eu perdoo E AGORA você pode superar seus pecados”.  Por causa do perdão, da compaixão de Jesus, aquela mulher poderia se sair melhor. A compaixão de Jesus não impõe condições. Ela oferece novas condições. Sem ela nos repetimos, por causa dela podemos ser transformados. Jesus não estava alertando aquela mulher: cuidado pois numa próxima vez não serei tão bondoso. Ele a estava encorajando: você não precisa voltar para a mesma vida; você pode ser sair melhor! João não diz mais nada sobre ela e muda de assunto. Mas creio que a vida daquela mulher nunca mais saiu daquele encontro com Jesus. Nosso Senhor é assim. Amoroso e compassivo. Por que insistimos em ser diferentes? Por que acreditamos que seja a dureza e não a graça, o que muda a vida das pessoas?

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