Candidato imaginário

0
2

A maioria absoluta de nós eleitores dificilmente já chegou ou chegará perto do candidato que escolheu para representá-lo no Congresso ou para dirigir o Poder Executivo do Estado ou do País. O percentual dos que podem chegar a um metro deles, mesmo em período de corpo a corpo eleitoral, é mínimo.

Por isso, o que a maioria de nós pensa de um candidato é o que as empresas de propaganda contratadas por eles acreditam que devemos pensar para que nos convençamos a votar neles; é o que terceiros – aliados ou adversários – falam ou divulgam a respeito deles nos meios de comunicação ou, ainda, é aquilo que deduzimos, a partir do que chegou ao nosso conhecimento, sobre o que ele já fez na vida.

Alguns privilegiados com “olhos e ouvidos clínicos”, com a capacidade de abstração mais desenvolvida, conseguem perceber algo mais a respeito dos candidatos, através do modo como falam, se movimentam e com quem se relacionam. Mas tudo fica no campo da impressão, da imaginação.

Se é verdade que o que alguém faz diz muito do que se é, também é verdade que nem tudo o que se é pode ser visto através do que se faz.

A escolha que a quase totalidade de nós faz, se dá com base no que imaginamos e, sobretudo, no que desejamos. Imaginamos porque desejamos. Projetamos no candidato aquilo que nosso coração anseia ou rejeita. Transferimos para eles os desejos de ser ou não ser do nosso coração, as necessidades do nosso corpo.

O problema é que os candidatos não são a encarnação dos nossos desejos e necessidades. Eles encarnam seus próprios desejos e necessidades. As vezes nem isso.

Alguns deles, excepcionalmente, incluem os desejos e necessidades de uma coletividade, como parte de seus desejos e necessidades. Se fizermos parte dessa coletividade encarnada pelo candidato, nos sentiremos contemplados com sua eleição. Se não, nos frustraremos. Daí, ou continuamos a luta, fazendo oposição a ele ou desesperançados, nos tornamos indiferentes à política

Uma vez eleito, um candidato isoladamente pode muito, mas pode muito menos do que declaram e nós, eleitores, imaginamos. Conquanto seu papel seja importante, decisivo em muitos casos, ele é parte de um sistema no qual o jogo de interesses é imenso e as forças que disputam o poder em seu próprio favor e não da coletividade é assustadora. Por isso, nem mesmo o que ele declara e deseja é exequível da forma como imagina ou discursa.

O momento eleitoral é importante porque traz à tona muitos dos desejos, sonhos, ideais, crenças, individuais e coletivos, pelos quais lutamos. Mas não podemos agir ingenuamente, muito menos delirar. É hora de manter os pés no chão. Nenhum candidato imaginário merece que desrespeitemos uns aos outros ou briguemos uns com os outros por ele.

Pr. Edvar Gimenes de Oliveira
Colaborador deste Portal

Compartilhar

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.