Nem ele e nem seus pais!

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“Seus discípulos lhe perguntaram: Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” (João 9.2)

Quem pecou? Ele mesmo ou seus pais para que nascesse cego? Como poderia ele mesmo ter pecado? Duas possibilidades: a de que um bebê, ainda no ventre da mãe pudesse pecar e a de que a existência humana fosse uma sequência de existências, de modo que os pecados de uma vida passada pudessem gerar os problemas da vida presente. Nenhuma das duas ideias pode ser sustentada com base no Evangelho de Cristo. A razão das dores e da condição de sofrimento que marca a vida de tantos logo na chegada a este mundo, é complexa e diversa.

Mas é seus pais? A ideia de que ele poderia ter nascido cego por causa de pecados de seus pais baseia-se na afirmação da lei mosaica de que Deus castiga os filhos pela iniquidade de seus pais, até a terceira e quarta geração (Nm 14.18). Mas esse entendimento é refutado pelos profetas posteriores, ensinando que cada um responde pelos próprios pecados (Ez 18). É claro que a vida dos pais produz consequências para os filhos, mas a questão levantada pelos discípulos era se Deus estava punindo aquele homem em função dos pecados de seus pais. E Jesus não confirma essa perspectiva.

Ainda hoje ideias como essas caracterizam certos ambientes religiosos. Fala-se em “maldição hereditária”, em uma tal “legalidade” para o maligno agir e estabelece-se formas e métodos para libertação. A obra de Cristo na cruz fica apenas como a etapa inicial da vida com Deus, devendo ser seguida de outras obras que completem a obra. Somos pecadores e o mundo, por causa do nosso pecado, condiciona-nos a uma vida imperfeita e com dores. Mas Deus tem manifestado sua graça e misericórdia. Não precisamos de libertações extras, toda a obra que precisávamos foi realizada por Cristo. Ele declarou: está consumado! E está mesmo.

 

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