Quantas caras tem o mal?

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“Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo.” (Isaías 5.20)

Hoje elegeremos o nosso novo presidente. Foram dias intensos de campanha e postagens. As fake news, coisa nova desses novos tempos pela forma, não pela mentira, multiplicaram-se. Estudos demonstraram que das 50 notícias que mais circularam antes do primeiro turno das eleições, apenas 4 eram verdadeiras. 92% foram produzidas, ou por equívoco ou com a intenção de enganar. Inegável é que nossas eleições aconteceram sob muita mentira e manipulação. Isso é ruim e custa caro! Recebi muitas mensagens. Não consegui ler ou ouvir ou assistir a todas. Na verdade, confesso a maioria delas. Faltou-me tempo. E, muito mais que tempo, ânimo. Diante desse meu “afastamento” fiquei me perguntando se agi de forma pouco politizada, se não me recusei a entrar no palco político por covardia ou descrença.

Não tenho lado nesta eleição. Até onde consigo ver com minhas grandes limitações, os dois lados são o mesmo lado. Representam o que não gostaria para o meu país. E diante disso penso em nossa responsabilidade como cristãos. Por que temos tão pouco a dar? Por que nos dividimos tanto? Por que ainda não amadurecemos o bastante para, sem paixão, oferecer uns aos outros as nossas percepções? Como isso nos auxiliaria! Mas não temos articulação política (quem dirá comunhão espiritual) para, com base nos valores do Reino, propormos caminhos e oferecermos candidatos. A meu ver há pontos na experiência com a esquerda que foram positivas, e lamento que, em grande parte, foram invalidados pelos negativos. Especialmente pelos níveis a que levaram a corrupção e o endeusamento de um líder. E a alternativa que este pleito nos traz é quase irresistível para a maioria, pois dá voz a toda indignação entalada na garganta. Isso reduz muito a reflexão.

Em minha frágil leitura percebo uma miopia bilateral. Há muitos que posicionam-se como apaixonados e, no restante de nós, atua uma lógica que nos leva a um dos lados, menos pela convicção e mais pera rejeição ao outro. E até Deus tornou-se cabo eleitoral. Mais que partidos, o céu e o inferno foram incluídos na disputa! A arte da manipulação foi exaltada! Acabamos, sem exceção aos lados, caindo no que mais atrasa e aprisiona o ser humano. Protagonizamos o texto de Isaías, chamando mal de bem, trevas de luz, amargo de doce. E acrescentaria libertinagem de liberdade, opressão de limites, desrespeito de direito, violência de ordem, misoginia, racismo e maniqueísmo de condição natural da vida. Passadas as eleições precisamos nos deter na reflexão. A política precisa definitivamente ser assunto da igreja e ser compreendida em sua participação na vida espiritual de uma nação, sem os devaneios que estão por aí. E que busquemos a benção de Deus para protagonizarmos um papel mais relevante como cristãos brasileiros. Pois o mal tem muitas faces. Nosso chamado é para que protagonizemos a face do bem!

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