Às margens do rio São Francisco

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No esboço bibliográfico do seu pai, Pr. Antônio Bernardo Júnior, que traz o sugestivo título Sua fé, seu tesouro, narra o Pr. Salovi Bernardo vários episódios que mostram como eram difíceis as condições para o exercício do pastorado naqueles tempos de pioneirismo, mas mostram também a fibra, o destemor, a fidelidade daqueles desbravadores que não tinham carro, andavam a cavalo ou mesmo a pé, não tinham celular nem internet, a comunicação tinha que ser pessoal, mas ganharam muitas almas para Cristo, plantaram igrejas, honraram o seu Salvador. Algumas vezes levavam a preciosa semente andando e chorando, mas sempre traziam consigo os seus molhos.

Estava o Pr. Antônio Bernardo na Igreja de Pirapora, situada às margens do Rio São Francisco, quando a igreja recebeu a visita do missionário A.R. Allen, que vinha para fazer conferências evangelísticas. Como preparação da cruzada, visando chamar a atenção do povo da cidade, o pr. Bernardo decidiu batizar alguns irmãos já convertidos. O local escolhido foi uma praia às margens do Rio São Francisco, não muito longe do centro da cidade. Foi feita ampla divulgação e grande multidão convergiu para o local a fim de ver a novidade que era o batismo dos crentes. Transcorria o culto com o cântico de hinos, pregação, os candidatos vestidos de brancos, o pr. Bernardo já pronto para entrar no rio quando, de repente, surgiu no céu um pequeno avião, que passou a fazer vôos rasantes, indo e voltando, voando tão baixo que assustava a multidão. Um avião por aquelas bandas, narra o pr. Salovi, já era uma raridade. Em vôos rasantes sobre a multidão, era assustador. Provavelmente, aquele piloto pretendia dispersar a multidão e impedir a realização dos batismos. Em uma daquelas manobras, o avião passou tão baixo que o pr. Allen, um homem de elevada estatura, teve que se abaixar para não ser atingido e uma nuvem de areia se levantou da praia, criando um grande pânico. Diante da situação, a fim de proteger o povo de um acidente que poderia ser desastroso para a imagem da igreja, o pr. Bernardo chegou a pensar em adiar os batismos. Falou com o missionário sobre o assunto e o pr. Allen, conta Salovi, respondeu: “Se ele está fazendo isso devido a algum problema com o avião, Deus cuidará disso. Se ele está fazendo isso para nos perseguir, Deus também cuidará disso. Vamos continuar”. O pr. Bernardo não era homem de ter medo e deu prosseguimento ao culto. Os batismos foram realizados e o avião sumiu no espaço. Poucos dias depois, chegou a notícia de que p avião caiu na mata e que o piloto havia morrido. Alguns dias se passaram e os destroços do avião chegaram a Pirapora numa gôndola da estrada de ferro, atraindo muita gente para ver o que havia sobrado de tanta valentia.

Naturalmente, o piloto foi vítima da sua própria imprudência. Ao sobrevoar em vôos rasantes para assustar o povo, para exibir sua perícia ou por simples brincadeira, mostrou irresponsabilidade. Não impediu, porém, que os batismos fossem realizados para testemunho do que o evangelho estava fazendo em Pirapora nem assustou os servos de Deus. Já vimos fatos semelhantes acontecerem por diversas vezes. Podemos ter esta certeza: Deus cuida dos seus. Vale a pena estar sob a proteção do Senhor que diz: “Não temas, ó pequeno rebanho, pois o vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12.32).

Recomendo que o meu querido leitor procure ler Sua fé, seu tesouro, do pr. Salovi Bernardo. Vale a pena.
Pr. João Falcão Sobrinho
[email]falcaosobrinho@uol.com.br[/email]

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