Nação Santa

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“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam.” (1 Pedro 2.9-10)

Talvez, das imagens evocadas por Pedro, esta seja a mais inspiradora de ideias sobre unidade. Digo isso em função do termo “nação” (“laos” grego) que denota um ajuntamento de pessoas com ligações fortes, envolvendo território, língua, cultura, costumes, leis e história. Somos “nação santa” por causa da ação soberana de Deus em nos amar e nos chamar para sermos Seus. Uma vez tendo crido em Seu amor, vamos sendo feitos uma nação. Na imagem dos escritos de Paulo aprece a ideia de corpo. Pela fé formamos um só corpo. O corpo de Cristo (1 Co 12.12). Pela fé (re)nascemos para uma nova vida. Nessa nova vida somos fortalecidos por Deus em nossa comunhão com Ele, e também fortalecemos uns aos outros pela comunhão e unidade entre nós. Ambos os fortalecimentos são essenciais, são indispensáveis.

A voz de cada um de nós, como alguém alcançado e que vive como um filho amado de Deus, é muito importante para a proclamação do Evangelho no mundo. Mas há um ministério que vai para além do que podemos fazer individualmente. Há um ministério para a igreja. A voz da “nação santa” precisa ser ouvida. Precisamos também como nação santa anunciar as grandezas daqueles que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós, que antes não éramos povo, mas agora nos tornamos povo (“laos”) de Deus. Não havíamos alcançado misericórdia, mas agora formos alcançados por ela. Como tem faltado essa voz em nossos dias! A cidade está cheia de igrejas enclausuradas em seus templos, voltadas apenas para si mesmas. Pensando apenas nas “coisas espirituais” sem discernir a profunda conexão entre o Evangelho e as ruas, a vida, a existência.

Igrejas com portas e janelas fechadas para a vida. Levando aqueles que entram a perderem a autonomia e a liberdade. Em lugar de aliviados, recebem pesos. Em lugar de enviados, são silenciados. Em lugar de integralizar a vida, são levados a dicotomizá-la e assim tornam-se incapazes de articular a mensagem no meio em que vivem. Precisamos pegar o caminho de volta ao Evangelho. Aprendermos a ser indivíduos e nação para a glória de Deus. Viver o pertencimento a Deus e o pertencimento de uns com os outros. Nosso compromisso como igreja, como povo que conheceu a misericórdia de Deus, está fazendo falta. Temos enfraquecido a presença do Reino de Deus no reino dos homens. Precisamos redescobrir o sentido de sermos igreja: uma comunidade de vida, terapêutica para pecadores e fracos, cheia de amor e da graça de Deus; por meio de quem o Espírito, sem necessidade de espetáculo, realiza Sua obra e transforma pecadores em filhos e filhas de Deus para louvor de Seu glorioso nome!

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