Gratuidade e Maturidade

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“Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente. Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente.” (1 Coríntios 2.12-14)

A fé cristã é distinta da fé meramente religiosa. O padrão da fé religiosa, seja qual for a religião propõe um deus distante, que deve ser buscado e agradado, para então, caso o crente o agrade e obedeça, possa ser digno de benefícios. É uma fé exercida majoritariamente como um meio de troca, para se obter proteção, ajuda, realização de desejos, alcance de objetivos, satisfação de necessidades. A fé cristã é de outra natureza. Por isso a religião, para ser cristã precisa ser também. Não é uma fé para ser exercida como meio de troca. É exercida como adoração, para expressar gratidão e fortalecer a confiança no amor de Deus. Pois o Deus de Jesus nos amou primeiro. Foi Ele quem veio a nós e não nós que fomos a Ele. Ele nos buscou e não nós o buscamos. Ele nos abençoa completa e gratuitamente por meio de Cristo. Não é possível fazermos nada para estabelecermos ou sustentarmos esse relacionamento. Jesus declarou: está consumado (Jo 19.30). Somos chamados a crer nisso com todo coração.

Deus intervém e fica em nossa vida. A fé cristã é relacional – pessoas vivendo em comunhão com Deus. Por isso Paulo diz que recebemos o Espírito que procede de Deus para entendermos as coisas de Deus. Coisas que Ele nos tem dado gratuitamente! Não há barganha! Não há compra! Não há mérito! E quem não tem o Espírito que procede de Deus não pode praticar a religião cristã. O esforço humano é inútil. Ele só serve se for motivado pelo anseio de honrar a Deus. Se tentarmos construir uma relação com Deus por nossos esforços, nossa religião se torna profana. Pois é preciso a presença de Deus para buscarmos a presença de Deus. Quem não tem o Espírito que procede de Deus não consegue aceitar as coisas próprias da fé em Deus. Pois a mente de quem não recebe este Espírito só funciona a partir dos parâmetros humanos, terrenos, temporais. As coisas do Reino de Deus não se encaixam, não fazem sentido. A mente puramente humana não produz fé, mas apenas dúvida e espanto. Sem Deus não nos relacionamos com Deus.

A fé cristã parece loucura pois anuncia a presença do Reino dos Céus em plena terra, do Reino de Deus em meio aos seres humanos. Ela nos emancipa nos amadurece. Sendo levados a entender as coisas elevadas, as divinas e espirituais, ganhamos sabedoria para discernir as coisas mais baixas, as humanas e terrenas. Quando somos envolvidos por valores eternos, por realidades eternas, aprendemos a discernir as ilusões da vida que inventamos sem Deus. Este é o lugar da fé ensinada por Cristo. Por isso a imaturidade é uma negação dessa fé. Pois o resultado na vida de alguém que vive em comunhão com Deus e recebe a benção de compreender coisas espirituais, eternas, é  tornar-se mais saudável, mas adequado para relacionamentos e para o enfrentamento da vida com suas surpresas e reviravoltas. Há muito para melhorarmos, para avançarmos. Que escolhamos e busquemos a grandeza do que Deus, gratuitamente, nos oferece.

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