Caminhando em um Novo Ano

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Há caminhadas cuja finalidade é clara: pretendemos chegar a um destino. Há aquelas cujo destino pouco importa: a finalidade é a caminhada em si. Ambas são importantes.

A caminhada visando um ponto de chegada geralmente é mais estressante. É que a cabeça está focada no destino. Se pensamos no rolamento do piso, na distância, na temperatura, no vento, nos sons, enfim, o fazemos em função da agilidade ou do tempo e energia que podem ser economizados para se atingir o objetivo. Pouca atenção é dada ao que acontece na trajetória, se isso pouco interferir no resultado desejado.

Diferente é a caminhada pela caminhada. Nela os olhos estão abertos aos detalhes das paisagens. Seja a beleza das árvores, as cores das flores, uma simples folha seca caída no chão, alguém com quem nos deparamos, os prédios construídos; seja a multiplicidade de sons de pássaros, de motores de veículos, de um rádio ligado, de alguém conversando ou das próprias pisadas; seja a sensação do vento na pele, o perfume da natureza, enfim, seja com o que nos depararmos ou que fenômeno ocorrer, tudo é percebido, sentido e apreciado como sinal de vida, como o mais importante da caminhada. Tudo é motivo de reflexão. Importante é estar e continuar caminhando.

Se na caminhada visando um destino o ápice do prazer, da alegria, acontece na chegada, na caminhada pela caminhada, o prazer vai sendo degustado a cada passo, a cada esquina, a cada surpresa.

Geralmente no início da caminhada de um novo ano, fala-se muito no que se pretende alcançar e menos no que se pretende viver. Parece-me que a exclusão de um tipo ou de outro é igualmente nociva à vida.
Definir onde se pretende chegar, que alvo se deseja atingir é importante, mas trabalhar a cabeça para experimentar o que ocorrer, viver o bem e o mal de cada dia, preparar o coração para enfrentar com bom humor as surpresas que a vida reserva, certamente traz mais saúde pra si e pra quem está ao redor.

Daí ser importante, nesse início de caminhada incluir espaço para o não planejado em nosso planejamento e a falta de finalidade, como finalidade, em nossos objetivos. Quem sabe isso não ajude a nos sentirmos mais felizes e a ajudarmos os que nos cercam a também serem mais felizes.

Feliz Ano Novo!

Pr. Edvar Gimenes

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