“Minha irmã morreu de tanto trabalhar para esta seita”, diz homem à polícia

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Chácara no Gama, onde fica a Igreja Adventista Remanescentes de Laodiceia

Um morador do Mato Grosso procurou a Polícia Civil do Distrito Federal, nesta semana, em busca de respostas sobre a morte da irmã, de 49 anos. Dione dos Santos Almeida Holanda morreu em dezembro, após viver 10 anos na comunidade Igreja Adventista Remanescente de Laodiceia.

Segundo o familiar, Dione “abandonou tudo” em 2008 para se dedicar ao trabalho na seita, comandada por Ana Vindoura Dias Luz. A líder religiosa é suspeita de manter uma jovem de 18 anos em cárcere privado.

“Minha irmã trabalhava demais, direto, dia e noite costurando roupas lá dentro”, afirma o homem, que preferiu manter a identidade em sigilo. “Amolecia as mãos de tanto costurar”.

“Não dá pra entender, parece que era lavagem cerebral. Abandonou tudo, vendeu e foi embora, morreu de trabalhar para eles.”


Ana Vindoura Dias Luz é líder espiritual na Igreja Adventista Remanescentes de Laodiceia

A fiel, na época com 39 anos, conheceu a seita no município de Cláudia – uma cidade com 11,7 mil habitantes no interior do Mato Grosso. De lá, Dione se mudou com os colegas de fé para Goiás e, há dois anos, para Brasília. Ela morreu na capital federal.

Durante os 10 anos em que a costureira esteve imersa na doutrina da igreja liderada por Ana Vindoura, os familiares tentaram contato, mas tiveram pouco sucesso.

“Nesse tempo, só consegui falar com minha irmã uma vez. Se falassem ao telefone, apanhavam”, diz. Testemunhas e ex-membros relatam que o uso e a posse de celulares é proibida no local – embora a líder religiosa tenha um aparelho ativo.

Em uma outra oportunidade, a mãe de Dione passou quatro dias convivendo com a filha, mas “era vigiada o tempo todo”, lembra o irmão. “Ela dizia que estava tudo bem, mas parecia que tinha alguma coisa errada, minha irmã parecia ter medo”.

O velório

Até esta sexta (11), a família de Dione Holanda não tinha informações sobre as causas da morte dela. Eles suspeitam que ela tenha passado mal e morrido sem atendimento médico – o uso de remédios de farmácia também é vetado na comunidade.

O irmão de Dione contou ao G1 que foi impedido de ir ao sepultamento, em dezembro. Ele queria levar o corpo da irmã para ser sepultado no Mato Grosso, mas o traslado também foi negado. “Diziam que eu era o demônio.”
A reportagem tentou contato com a defesa da líder religiosa, mas o advogado não retornou as ligações até esta sexta (11/01).

Fonte: G1

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