Os desigrejados

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Quem são eles? São os sem igreja. Talvez haja milhares ou milhões no Brasil e em outras partes do mundo. São membros e ex-membros de igreja que, movidos por insatisfação pessoal, discordância quanto aos rumos da comunidade, problemas de relacionamento e outros motivos injustificáveis, se afastaram do convívio comunitário. Essas pessoas não têm mais interesse em frequentarem igreja. Elas se consideram maiores e melhores do que a igreja de Jesus. Sentem-se superiores, cultas e “vacinadas” em relação ao contato, tête-à-tête, cara a cara com os membros da comunidade cristã. Não apreciam a reunião dos santos, a comunhão fraterna. São da filosofia do self-service (servir-se a si mesmo). Apreciam o isolamento em relação às pessoas que estão fora do seu contexto familiar.

Os desigrejados são independentes. Bastam-se a si mesmos. Eles se auto justificam, colocando defeitos na comunidade da fé. Não querem compromisso, engajamento e incomodo para si mesmos. Geralmente são pessoas frias, autossuficientes, antropocêntricas, acometidas de uma cardiopatia congênita, resultando numa religiosidade fria e distante. Não aceitam autoridade espiritual, confrontação, prestação de contas e checagem da vida. Não têm nenhum interesse em prestar contas e muito menos se submeterem à mentoria ou serem acompanhados em seu crescimento espiritual. Geralmente são disciplinados para estudarem sozinhos. Não querem ter nenhum compromisso com a vida da igreja – oração, evangelismo, ensino, mordomia financeira, missões, ação social e celebrações diversas. Estas coisas não lhes apetecem. Não são relevantes.

Os sem-igreja não estão submetidos à assiduidade e nem à pontualidade. Apreciam os cultos e pregadores televisivos. Gostam muito da comodidade, tudo à mão. Eles têm um grau muito alto de isolacionismo. O conforto pessoal é muito mais relevante do que qualquer sacrifício para ir à igreja e adorar a Deus com os irmãos. Os desigrejados não têm a dimensão do valor comunitário ensinado por Jesus. Geralmente eles são mal doutrinados. Não conhecem a Bíblia com profundidade.

Os sem-igreja não têm interesse em ajudar as pessoas. São apáticos diante do sofrimento humano. Voltados para si mesmos. Vivem de si e para si, incluindo os de sua família. Não há base bíblica para os desigrejados, mas há para os que têm prazer na comunhão com os santos no ambiente eclesiástico (Salmos 133; Atos 2.42-47). Os que optam por ficar fora do ambiente da comunhão fraterna geralmente têm problemas emocionais e espirituais seríssimos. Precisam de um tratamento específico.

Os que vivem fora da igreja não querem que suas vidas sejam conhecidas e partilhadas. São movidos pelo egocentrismo. São acomodados em suas próprias opiniões e estribados em suas convicções carnais. Eles até creem e falam de que o Senhor os aceita. Não é o Senhor que os exclui, mas eles mesmos o fazem. A compreensão que os sem-igreja têm da Bíblia é larga e rasa. Estão comprometidos com a rasidade do isolacionismo e não com a profundidade dos relacionamentos entre os membros do Corpo vivo de Cristo (1 Coríntios 12.12-27).

O fato de não desejarem a comunhão no templo ou em qualquer outro lugar, os torna mais vulneráveis ao pecado, às investidas do inimigo das nossas vidas. É na comunhão dos santos que desenvolvemos a capacidade de relacionamento, diaconia, parceria, mentoria (cuidado mútuo), visão, crescimento espiritual e um testemunho contundente do Evangelho de Cristo. A igreja primitiva é um exemplo magnifico do que é ser igreja (Filipenses 2.1,2). Fora desta realidade bíblica Deus não aprova.

Os desigrejados parecem não entender o valor da manifestação do Espírito Santo no meio da igreja. Eles não desejam obedecer aos que são colocados na liderança do Corpo de Cristo para o seu crescimento nas várias dimensões (Efésios 4.11-16). Os chamados sem igreja estão sentados em suas poltronas, quietos e sossegados. Não há cheiro de gente perdida, faminta, morta em seus delitos e pecados. Os fora da realidade comunitária não têm interesse em testemunhar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8.38,39). Essas pessoas são vazias de amor e compaixão pelos que sofrem, infelizes, cansados, oprimidos. Jesus convidou os cansados e oprimidos para os aliviar (Mateus 11.28-30).

Os sem-igreja usufruem da mensagem, dos cânticos e de toda a programação via internet ou televisão, sem investir (alguns podem até investir) na expansão do Reino de Deus em toda a terra. Essas pessoas não estão preocupadas com a caminhada da igreja, com a peregrinação cristã e a expansão missionária. São adeptas do comodismo, hedonismo e narcisismo. Não compreenderam ainda o ensino de Jesus sobre o Evangelho, a Igreja, o Reino de Deus, enfim, toda a doutrina cristã exposta nas Escrituras. Os sem-igreja precisam do nosso amor e das nossas orações. Devemos contata-los com o amor de Cristo Jesus e confrontá-los com o ensino da Palavra de Deus. Não desistamos deles. O Senhor, que não desiste de nós, é a nossa maior motivação para alcança-los com o Seu incomparável amor em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal

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