Sucessão Pastoral

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Era um concílio para examinar um colega de turma com vistas ao pastorado. A reunião acontecia numa grande igreja de interior no nordeste. Um líder, depois de ouvir para onde o candidato iria, pediu a palavra e, em tom reprovador, declarou que não era para aquela igreja que ele gostaria que o candidato fosse.

O candidato reagiu dizendo algo como: esta é a sua vontade, mas não é a de Deus. Como o senhor não é Deus, não irei para onde o senhor gostaría. O líder, silenciosamente, sentou-se.

O conflito de vontades faz parte da experiência humana. Acontece entre pessoas e também na relação com Deus.

Afinar a vontade de pessoas parece-me um desafio maior. Os motivos, interesses e escalonamento de valores são diferentes, nem sempre conscientes e transparentes, e não há, nem nunca houve neste planeta, pessoa capaz de atender em 100% as expectativas de outra. Muito menos de um grupo de outras.

Quando se trata de escolher um pastor, uma trilha de conciliação seria relacionar diversos aspectos definidos por envolvidos e pedir a quem vai decidir que marque, para cada um deles, quais das seguintes categorias retrataria melhor seus sentimentos e pensamentos: “muito importante”, “importante”, “pouco importante” ou “sem importância”.

A partir disso, procuraria-se alguém que mais se aproxima daquilo que é entendido pela maioria como “muito importante” ou “importante”, deixando em segundo plano os “pouco importantes” ou “sem importância” à maioria da igreja.

Perceba-se que, nesse caso, é a vontade humana que se estaria buscando reconhecer.

Há quem defenda que afinar-se à vontade Deus seria menos difícil. Bastaria elencar princípios do reinado de Deus, manifestos na vida e ensinos de Jesus, confrontá-los com os motivos que movem os corações dos que têm que decidir em busca de afinação entre as duas vontades – divina e humana – e seguir adiante, confiando na graça divina.

O problema é que há situações excepcionais nas quais o agir de Deus se manifesta de maneira imprevisível, misteriosa. Lucas, por exemplo, conta que Paulo e seus companheiros foram impedidos, pelo Espírito, de pregar a palavra na Ásia e na Bitínia e, depois, através de sonho “concluiram” que Deus os tinha chamado à Macedônia.  (At. 16:6-10).

Um  bom caminho, então, seria conciliar muita e sincera oração, com aquilo que as pessoas que decidirão consideram muito importante, buscando harmonia com o reconhecimento e priorização dos valores espirituais do reinado de Deus, manifestos em Jesus.

Seguir por esse caminho aumenta significativamente as chances de acerto.  E, se houver erro, que cada um seja humilde para reconhecer o seu e, nesse espírito, colaborar para corrigir a rota.

Pr. Edvar Gimenes – Colaborador deste Portal

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