Cristo no seu trabalho

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“Do suor do teu rosto, comerás o teu pão”. (Gênesis 3.19a.)

Existem várias razões pelas quais trabalhamos; reconhecimento, dignidade, sentir-se útil, status, etc. E claro, pagar as contas. Talvez esta última seja a mais urgente e a razão da grande maioria se envolver em determinado tipo de ofício. Já dizia o ditado “o trabalho dignifica o homem”. E Salomão com sua sabedoria ordenava aos preguiçosos: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio”. Provérbios 6:6.

Não restam dúvidas que a Bíblia, a infalível Palavra de Deus, nos orienta a termos um ofício e nos sustentarmos dele. Mas você já imaginou se Jesus lhe fizesse uma visita em pleno horário de expediente? Ou ainda, se ele fosse seu colega de trabalho? O que ele teria a dizer a seu respeito

1. Quanto temos nos assemelhado à Cristo, durante o horário de expediente?

Acontece que esse mesmo trabalho que nos dignifica como seres sociais que somos também pode nos distanciar da imagem do Cristo que devemos imitar. Michael Zigarelli diz em seu livro intitulado “Fé no Trabalho” que o que mais importa em seu trabalho não são suas metas cumpridas, mas “o quanto nos assemelhamos à Cristo durante o horário de expediente”.

Ouvimos em nossas igrejas que devemos nos assemelhar à Cristo, isso nos soa muito cômodo no ambiente espiritual. Mas quando “batemos nosso cartão” na segunda-feira, e damos início a mais um dia de trabalho, não demora muito para as regras mudarem. Muitas vezes o próprio ambiente de trabalho, o nível de competição, metas que são perseguidas pela organização, nos empurram para longe do propósito divino, e o “assemelhar-se à Cristo” reduz-se a uma frase de efeito em um púlpito qualquer.

Se Jesus fosse nosso colega de trabalho, o que ele teria a dizer sobre nossas atitudes? Estamos sendo éticos? Respeitosos? Podemos dizer confiantes que exalamos o perfume de Cristo onde trabalhamos? Qual tem sido nossa postura com nossos subordinados? Estamos agindo como líderes, formando talentos ou não perdemos a oportunidade de expor suas falhas com nossos superiores na esperança de parecermos melhores do que somos?

E se Jesus ao invés de ser seu colega, fosse seu subordinado? O que ele diria de você? E quanto aos superiores? agimos de forma leal e respeitosa ou nos juntamos à “rádio corredor” para expormos suas falhas? 

“Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto”. Eclesiastes 10:20.

Você já foi surpreendido em algo que disse a alguém de sua confiança sobre uma terceira pessoa e o assunto chegou aos ouvidos dessa pessoa de forma inexplicável? Pois bem, a resposta está nos versos acima, ou seja, ao falarmos mal de alguém superior, aqui simbolizado pela imagem do Rei, de alguma forma isso irá até seus ouvidos, pois até mesmo um passarinho daria notícia do assunto. Você já tinha pensado nisso? A bíblia é realmente um manual incrível!

Então devemos ponderar nossas palavras da próxima vez que pensarmos em fazer algum comentário depreciativo sobre a conduta de alguém no nosso ambiente de trabalho, pois todos sabemos que este é um local extremamente competitivo e não faltariam “asas” para levar a notícia!

“O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias”. Provérbios 21.23.

2. Sendo diligentes no trabalho, agradamos a Deus.

Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. Colossenses 3:22.

A Bíblia nos adverte, para não esperarmos a cobrança pelos nossos afazeres, mas fazermos de forma pró-ativa aquilo que nos propomos a fazer, assim, agradamos não somente aos homens, mas à Deus.

No ambiente cristão é comum ouvir crentes se lamentando sobre trabalhos que não prosperam. Estão a 15 anos na mesma empresa e não conseguem progredir, são sempre preteridos em uma promoção e geralmente por alguém mais jovem de casa. Será que não caberia aqui uma reflexão sobre a qualidade de nosso trabalho? Acredito que fazer pouco de forma espontânea, vale mais para seu superior (principalmente para sua imagem) do que fazer muito após um longo período de desgastes e muitas cobranças. 

É claro que o ideal é ser eficiente e tempestivo, não deixar as coisas acumularem para então começar a resolvê-las. E esperar ser cobrado para dar início aos seus afazeres, definitivamente não reflete a imagem de Cristo em nós.

Que imagem temos passado aos nossos superiores? É possível olhar pra mim e enxergar Cristo através de minhas atitudes?

3. Humildade no Trabalho

Mateus 5.3 “Bem aventurados os mansos de espírito, porque deles é o reino de Deus”.
Pode não parecer, mas esse versículo cabe no ambiente profissional também, Jesus quando disse essa frase não excluiu dela o nosso trabalho.

Sei que para muitos ser humilde no trabalho pode denotar sinal de fraqueza. Um mundo que nos impulsiona a sermos o primeiro em tudo, a falarmos e sermos ouvidos, a termos sempre razão, principalmente se estamos em posição de destaque na empresa. Absorver o sermão do monte, não nos parece tarefa fácil.

Lembro-me de quando tomei posse em meu primeiro cargo de gerente, a maioria de meus subordinados tinha de empresa o que eu tinha de idade. (risos). Não foi fácil, tentava me impor a todo momento, ficávamos em uma guerra sem fim, eu de um lado tentando me fazer respeitar e eles de outro lado testando minha liderança. O desgaste foi grande para ambos os lados. As discussões eram constantes, os pedidos de desculpas também.

Até que um dia, tomei a atitude de buscar em Deus a mudança que eu precisava ter no meu trabalho. Então, Ele me fez entender que eu era a mudança que eu queria ver. Às vezes nos sentimos tão donos da razão que em nome dela, estamos dispostos a irmos às ultimas consequências.

Ser humilde no trabalho é mesmo tendo razão, cedermos quando isso for possível. É não nos encolerizarmos pra defender nosso ponto de vista. Temos que banir o mito de que ser manso é ser fraco. Mateus 5.5 “Bem-aventurado os mansos, porque herdarão a terra”.

Decidir ter uma vida cristã em um ambiente profissional secular implica em renúncias como em qualquer outro aspecto de nossa vida cristã.

4. Convidando Cristo para nosso ambiente de trabalho

Quer ter um chefe novo? um liderado novo? Então, ouse praticar os ensinamentos cristãos em seu trabalho. Michael Zigarelli diz que “não é todo dia que você tem a oportunidade de demitir seu chefe/subordinado, mas é exatamente isso que você faz quando escolhe aceitar o chamado de ser humilde de espírito.” Uma nova vida profissional será inaugurada sob a gerência de Deus.

Você talvez esteja argumentando que seu trabalho é diferente, que no seu expediente de trabalho seria inviável uma postura cristã de humildade, que você é exigido muito mais do que a média, as regras são ditadas pelo mercado, não há nada a fazer para mudá-las, pois afinal de contas você não manda no mercado, certo? Errado.

Se os ensinamentos de Jesus, não se enquadram no seu trabalho, se ao cruzar a porta da empresa, o assemelhar-se com Cristo, perde o sentido, é hora de reavaliarmos nossas atitudes e permitirmos que ele seja de fato, Senhor de nossas vidas. Pois a única segurança que temos é em Deus e em sua palavra. 

Devemos zelar por nossos empregos, mas jamais depositarmos nele nossa total esperança, a ponto de termo atitudes ante éticas ou desleais com nossos colegas ou superiores. Não devemos fazer de nosso trabalho um ídolo em nosso coração. Se professamos a fé cristã, devemos ter a Palavra de Deus, inerrante que é, como nossa única regra de fé e prática, não nos importando com a pressão que exista para que nos conformemos às práticas desleais que porventura exista em nosso ambiente de trabalho, devemos provar o nosso comportamento à luz da bíblia, pois toda a nossa confiança deve ser depositada Nele e em sua palavra.

O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; é um escudo para todos os que nele confiam. Salmos 18.30.

Por: Regina Maria Nobre – Instituto Jetro

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