O dia de hoje já foi o amanhã que ontem me causou preocupações

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Tive de aprender isso em meio à adversidade. Comecei a sentir dores pelo corpo inteiro. Eu podia contar com os mais especializados recursos médicos, pois eu era a capelã do Hospital Evangélico de Vila Velha. No entanto, ninguém conseguia diagnosticar a causa dessas dores. Medicamentos que haviam aliviado o sofrimento de outras pessoas não estavam me ajudando. Fui internada durante onze dias. Os prognósticos eram sombrios. Um médico convocou uma reunião com meu marido e meus filhos, informando que eu teria de me sujeitar a uma cadeira de rodas e precisaria de uma cuidadora permanente. Foi recomendado que eu buscasse mais recursos em Belo Horizonte.

Trabalhar num hospital proporciona grande realização pessoal. Cada dia você pode minorar o sofrimento de alguém. Isso me fazia sentir enorme realização. Porém, duas décadas de atividade contínua com essas reivindicações acabaram minando as minhas forças. Afinal, num hospital só há problemas; ninguém vai até lá para uma recreação. 

Uma psicóloga diagnosticou o que estava acontecendo comigo: era síndrome de burn out. A sobrecarga de problemas havia me tornado como uma vela que está queimando. Chega o momento em que essa vela entra em colapso. 

A partir de então, fui redimensionando a minha vida. Tive de aprender a fazer algum progresso a cada dia. Eu não podia resolver toda a minha vida de uma só vez. Passei a viver intensamente um dia após o outro. 

Muitas pessoas oraram por mim, o que me proporcionou a certeza de que a intervenção divina em minha vida possibilitou que eu superasse as previsões mais desanimadoras e fatalistas. O meu pleno restabelecimento se deve à intervenção de Deus. 

O que eu aprendi com essa vivência? Nós temos muitas dificuldades para viver o momento presente. Procuramos viver no passado, acreditando que ele garante a nossa identidade. Afinal, o que somos se deve ao nosso passado. Procuramos também viver no futuro, para assegurarmos a nossa sobrevivência. Estamos sempre procurando uma satisfação que se realizará mais adiante.

Fazemos uma avaliação do passado e nos defrontamos com os acertos e com os erros. Muitas pessoas se lembram dos erros com intensidade, o que provoca arrependimento e culpa. O futuro está aberto e, por isso, provoca inquietação, preocupação e ansiedade, pois não sabemos o que nos sobrevirá.

Nas poucas vezes em que nos concentramos no dia de hoje, nós o fazemos com um olhar condicionado pelo passado ou pelo futuro. Olhamos para o presente com as lembranças do que não deu certo no passado ou com a expectativa ansiosa do que poderá dar errado no futuro. Muitas vezes achamos que o dia de hoje está sombrio. Na verdade, não é propriamente o dia que está ruim, mas sim os nossos pensamentos e sentimentos a respeito dele.

Devemos aprender a ver os acontecimentos e também os encontros com as pessoas como oportunidades para aprendermos e crescermos. Se estivermos receptivos para o que pudermos aprender em cada encontro interpessoal, as pessoas deixarão de nos irritar. E nós estaremos dispostos a crescer. Desse modo, cada dia será uma oportunidade para crescermos e realizarmos o propósito de Deus.

Por: Maria Luiza Rückert

Fonte: Ultimato

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