A morte da INDIGNAÇÃO

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Morreu no Brasil o sentimento de indignação diante das falcatruas políticas. Os políticos fazem o querem e as pessoas estão passivas, insensíveis ou acomodadas. Ser pacífico é uma virtude, mas ser passivo é um enorme defeito. Os escândalos do Brasil, cometidos por partidos políticos no Congresso e por elementos do executivo, são uma vergonha. Não temos uma cultura de revolução genuína com base na inconformação, da rejeição visceral com tudo o que está aí. Tivemos um presidente que, diante do mensalão ou corrupção política vergonhosa, não sabia de nada.  Mas agora está preso.

A nossa ética é a do ‘jeitinho’. No Brasil todas as reformas – e quando elas acontecem – são muito vagarosas. Vivemos num país do ‘faz de conta’. Um país de políticos que gostam de aparecer, políticos que não trabalham e usufruem de salários muito altos. Que têm seus currais eleitorais onde exercem domínio pela troca imoral. Que gostam de oferecer para o povo pão e circo. Não podemos nos conformar com este estado de coisas. O serviço público virou cabide de emprego para apadrinhados dos partidos que governam. Concursos públicos são fraudados à luz do dia. Não existe meritocracia, mas indicação política em conformidade com os interesses suspeitos. É uma raça que se auto apascenta. Gente da pior espécie. É triste ver tanta pobreza num país tão rico. Juros escorchantes. Bancos que atuam como agiotas sob as barbas do governo. Há uma verdadeira ditadura financeira explorando idosos e pobres – gente sofrida por causa da injustiça que grassa neste país continental.

 Somos um dos países mais injustos do mundo. Levantamos a bandeira da oitava economia do mundo, mas sofrível (esta palavra é muito leve) em educação, saúde, saneamento básico (metade da população não tem saneamento básico), habitação (o Brasil tem 6,9 milhões de famílias sem casa), segurança, infraestrutura e transportes de massa. Somos o país da última hora. Não temos um projeto para o Brasil de longo prazo. Falhamos em planejar. Somos o país de bombeiros que apagam incêndios. Não nos indignamos ao vermos parentes de autoridades se enriquecerem. Estamos insensíveis. Perdemos referenciais éticos. São raríssimos os valores como honestidade, integridade, solidariedade, justiça. Homens e mulheres que, investidos de autoridade, agem com desonestidade e de forma descarada, sem nenhuma sensibilidade moral. Os diversos casos de escândalo já se tornaram normais. Há uma leve mudança, pois há homens poderosos presos.

Tristemente, somos o país da pedofilia, das meninas de programa (muitas, menores de idade), dos desmatamentos ilegais, dos laranjas, das licitações arranjadas, do crime organizado, das milícias, de muitos parlamentares e empresários desonestos, que se enriqueceram com o dinheiro publico, frutos de impostos pesados pagos pelo povo sofrido e trabalhador. Que Deus ressuscite em nós, por meio de Cristo, a indignação veemente com toda esta corrupção que, como câncer, destrói o corpo do Estado brasileiro e o tecido da sociedade.  Que nas próximas eleições renovemos mais o Congresso, as Assembleias Legislativas e as Câmara Municipais. Votemos em pessoas íntegras, que têm uma folha de serviços na sua comunidade. Que têm caráter e história de dignidade. Que prestam contas da sua gestão. Que sejam sonhadoras e realizadoras sempre pensando no bem-estar do povo, na sua qualidade de vida e na grandeza da nação brasileira. Como nação, sejamos maduros em nossas escolhas. Um povo politizado. Que coloquemos para fora do serviço ao Estado, à nação, os corruptos, os sujos, desonestos, que envergonham o povo brasileiro. Façamos abaixo-assinados para que as reformas da Previdência, política, penal, tributária e social sejam aprovadas e implementadas. Que os corruptos sejam excluídos da vida pública. Sejamos tomados de uma indignação diante do erro, das ações de políticos em benefício próprio e de familiares. Que a indignação com o erro, a injustiça esteja sempre viva em nossos corações.

Construamos um país de integridade a toda a prova. Desenvolvamos uma cultura da denuncia ao erro e a devida punição – duríssima e exemplar. Combatamos de forma veemente os vícios dos políticos desonestos. Que o nosso amado Brasil seja o país das oportunidades, da igualdade, da busca pela excelência nos vários setores, do desenvolvimento sustentável, da integridade em todas as instituições, da fraternidade, da divisão de renda, da educação de qualidade para todos (escola integral), da justiça aplicada a todos igualmente e de autoridades comprometidas com a ética cristã, sendo exemplo para a imensa e honrada nação brasileira.  Que sejamos tomados da indignação com base no caráter do nosso Deus, Santo e Justo.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ
Colunista deste Portal
www.oswaldojacob.com  

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