Muçulmanos se voltam a Jesus na Síria

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Uma comunidade de sírios que se converteram do Islã ao cristianismo está crescendo em Kobani, uma cidade que foi sitiada pelo Estado Islâmico (EI) durante meses e se viu livre dos militantes há quatro anos.

A dolorosa experiência da guerra e os ataques promovidos pelo grupo em nome do Islã levaram os convertidos para a nova fé. Depois que várias famílias se converteram, a primeira igreja evangélica da cidade foi inaugurada no ano passado.

Militantes do EI foram derrotados em ataques aéreos pelos Estados Unidos e combatentes curdos em Kobani no início de 2015, em uma reviravolta depois de tomarem parte do Iraque e da Síria. Depois de anos de luta, as forças apoiadas pelos EUA tiraram totalmente o controle do grupo sobre o território no mês passado.

Embora a interpretação ultra-radical do islamismo sunita pelo EI tenha sido repudiada pela comunidade muçulmana, o legado de sua violência afetou as percepções de fé.

Muitos que vivem nas regiões curdas do norte da Síria, cujos centros urbanos são frequentemente seculares, dizem que o agnosticismo se fortaleceu — no caso de Kobani, o cristianismo.

Críticos afirmam que a motivação dos novos convertidos está nos ganhos pessoais, como ajuda financeira de organizações cristãs, empregos e melhores perspectivas de emigração para países europeus.

Os cristãos recém-convertidos de Kobani, por putro lado, negam essas acusações. Eles dizem que sua conversão é uma questão de fé.

“Depois da guerra com o Estado Islâmico, as pessoas estavam procurando o caminho certo e se distanciando do Islã”, disse Omar Firas, fundador da igreja evangélica de Kobani. “As pessoas ficaram assustadas e se sentiram perdidas”.

Firas trabalha para uma organização cristã em um acampamento para pessoas deslocadas, que ajudaram a estabelecer a igreja. Cerca de 20 famílias, entre 80 a 100 pessoas, se reúnem no local.

“Nos encontramos às terças e realizamos um culto às sextas-feiras. Está aberto para quem quiser participar”, disse ele.

O atual pastor da igreja, Zani Bakr, 34 anos, chegou no ano passado de Afrin, uma cidade no norte da Síria. Ele se converteu em 2007.

“Isso foi pintado pelo EI como um conflito religioso, usando slogans religiosos. Por causa disso, muitos curdos perderam a confiança na religião em geral, não apenas no Islã”, observou Bakr.

Muitos se tornaram ateus ou agnósticos, “mas muitos outros se tornaram cristãos”, completou.

Um homem, que perdeu um braço em uma explosão em Kobani e fugiu para a Turquia para receber tratamento médico, disse que conheceu o cristianismo através de convertidos curdos e turcos.

“Eles pareciam felizes e todos falavam sobre amor. Foi quando decidi seguir os ensinamentos de Jesus”, disse Maxim Ahmed, 22 anos, acrescentando que vários amigos e familiares estavam interessados ​​em vir à nova igreja.

A população de Kobani e seus arredores se aproximou de seus 200.000 habitantes originais depois que as pessoas retornaram, embora apenas 40.000 morem na própria cidade, que ainda está em ruínas.

Com informações da Reuters

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