Tenho vos dito!

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“A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Provérbios 18:21).

Uma das maiores riquezas da humanidade são as palavras; elas são muitas e diversas, expressas em várias línguas, e possibilitam que as pessoas desenvolvam relacionamentos. Não poderia ser diferente se pensarmos como o apóstolo João, que nos escreveu cheio do Espírito Santo, revelando que “o Verbo [a Palavra] se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14). Deus Pai sempre desejou estar conosco, falar conosco e manter um relacionamento conosco. Essa é a riqueza da palavra: comunicar, expressar, dizer, relacionar. Contudo, nem toda palavra dita produz estreitamento das relações.

Hoje, mais do que nunca, se conhece o poder da comunicação, e parece que nunca foi tão difícil falar e se expressar. Se a linguagem e as palavras são riquezas, o que está acontecendo, então, em nosso meio? Por que não conseguimos nos entender? Por que a comunicação tem se tornado cada vez mais difícil de se estabelecer?

Na verdade, a grande maioria de nós se apropriou de um vocabulário (palavras), mas não desenvolveu as condições emocionais e espirituais corretas para pronunciar ou anunciar essas palavras. Muitas vezes “maldizemos”, ou seja, nos expressamos mal, falamos palavras “malditas” (mal ditas) ou não nos dispomos a ouvir com atenção: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Pv 18:13). Segundo Jesus, a fonte de tudo isso está no nosso coração: “…Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6:45).

Não é difícil entender que nossa boca manifesta a realidade mais profunda da nossa alma. Amor verbal tem a ver com a condição do nosso coração. A pergunta, então, deveria ser: como está o seu coração? O que ele tem direcionado para a sua boca? E como isso tem se manifestado em sua vida? Estamos diante de um assunto vastíssimo e de uma ampla discussão. Mas o propósito deste breve texto é nos fazer refletir sobre o que queremos dizer e como podemos dizer – a fim de que essas palavras gerem vida, conciliação, ou reconciliação, e paz, e manifestem amor verdadeiro.

Não é possível agradar a todos com as nossas palavras. Tentar viver assim seria loucura. Mas é possível, sim, ter respeito no que se fala, em como se fala e no acolhimento das palavras do(a) outro(a). Paulo escreve à igreja de Colossos dizendo: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4:6).

Palavras podem gerar vida ou morte; palavras podem curar ou adoecer; palavras podem incentivar ou desestimular; palavras podem gerar alegria ou tristeza. Precisamos escolher o que queremos gerar com nossas palavras. Por isso, precisamos de intencionalidade, consciência, graça e muito amor para nos expressar, lembrando que, como cristãos, nossas palavras devem refletir o fruto do Espírito Santo em nossas vidas: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio; contra essas coisas não há lei” (Gl 5:22–23).

O convite deste texto é para que sejamos mais cuidadosos na forma como falamos uns com os outros. Que nossas palavras possam transmitir, acima de tudo, amor, consideração, acolhimento. E, diante de tantos textos bíblicos que aqui já foram citados, concluo com mais um, que diz: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15:1).

Que nossos corações sejam tomados pela brandura do Espírito, moldados por essa presença constrangedora de amor e, então, cheios desse contentamento, possamos expressar em palavras e em ações tudo aquilo que tem ocupado o nosso coração.

Por Tiago Valentin

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