Veja além de si

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“Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2.4)

“Farinha pouca, meu pirão primeiro!”. “Quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte”. “Cada um por si e Deus por todos”. Desconhecia algum desses ditados? Depois de escrevê-los percebi que os tempos são outros. Ditados nem são assim tão comuns mais. Já não se fazem ditados como antigamente. Hoje se fazem memes. Palavras apenas não são muito apreciadas. Queremos imagens, sons, cores e movimento! É possível que os mais jovens nunca tenham ouvido algum destes ditados. Mas o ponto é que eles falam da individualidade que marca nossa natureza. O individualismo é muito mais fácil de se estabelecer em nós do que o senso de coletividade, do que a generosidade, do que o companheirismo. Não temos mais paciência com o outro. Queremos um espaço só nosso. Até há casamentos em que cada um fica no seu apartamento.

O texto de hoje questiona tudo isso e chama a atenção para o lugar comum, em que a minha vida interessa a você e vice-versa, e uma troca de cuidados é necessária. Devemos cuidar dos nossos interesses, mas devemos também valorizar os interesses e necessidades dos outros. Devemos ser voz para os que não têm voz. Veja o que está escrito no livro de Provérbio: “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados.” (Pv 31.8-9). Mas é mais comum que cada um só se ocupe das próprias dores, sendo incapazes de mostrar empatia ou exercitarem compaixão. Não devemos ser assim. Ao contrário, devemos intencionalmente escolher ver o outro e enxergar seus interesses. 

O mundo seria um lugar muito melhor se apenas observássemos esse principio. Por não fazermos isso, há poucos com muito e muitos com quase nada. Falta equilíbrio nas relações e no meio ambiente. Vivendo assim colocamos em risco as futuras gerações,  que acabarão sem ver o que hoje ainda podemos ver, por causa da destruição e por causa da extinção. O vício de concentrar-se exclusivamente nos próprios interesses endurece o coração, coloca em risco o casamento, torna cruel as relações, adoece o caráter tornando impossível o amor verdadeiro. O amor é corrompido revelando-se um sentimento de posse e que nos torna uma ameaça. A orientação de Paulo é importante e necessária. Coloque-a em prática! Tenha um coração aberto para considerar e valorizar, não apenas os próprios interesses, mas também os de outros!

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