Sinais da experiência com Deus – Parte 2

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“Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6.5)

Somos seres espirituais e por isso podemos promover e desfrutar experiências espirituais. A devoção, a súplica e suas sensações podem ser produzidas por nossa mente e nossas emoções. Podemos nos maravilhar com um ídolo como se fosse Deus. É assim que criamos os nossos deuses. Quando olhamos para a vida que levamos, fazendo um paralelo, assim como a febre e a dor são sintomas e não exatamente o problema, talvez possamos também considerar à luz da espiritualidade que nossos desvios, desamor, corrupção, dureza, crueldade, insensibilidade e tudo que se possa nominar e que nos desumaniza e produz maldades entre nós sejam, como a dor e a febre, apenas sintomas de nossa espiritualidade desviada de Deus. Pois uma vida de comunhão e aproximação com Deus, irresistivelmente, consequentemente, terá como resultado um ser humano melhor, mais humano, saudável, belo. Somos seres espirituais mas podemos estar vivendo uma espiritualidade adoecida.

A feiura de nossa sociedade com suas diferenças, preconceitos e opressões, revela a fraqueza e desvio de nossa espiritualidade. A espiritualidade que resulta do encontro e experiência com Deus nos melhora e tem sinais claros. O primeiro deles é que somos levados a, como Isaías, declarar: “Ai de mim! Estou perdido.” Quando percebemos o Deus que se revela, quando o vemos e nos damos conta de Sua presença, somos levados a ver a nós mesmos de forma mais clara e perceber o que não deveríamos ignorar: somos pecadores e Deus é santo! Às vezes todo exame que fazemos reside na comparação que fazemos entre nós e outras pessoas. Isso pode ser instrutivo mas pouco revelador. É, como se diz, comparar o sujo com o mal lavado. É diferente quando nos percebemos diante de Deus. Quando percebemos quem somos à luz de quem Deus é, que nos criou para Si, à Sua imagem e semelhança. Não há outra conclusão possível: somos pecadores!

Ver-se pecador não é algo que nos faz mal, que nos adoece. Não é isso que nos faz nutrir baixa autoestima. Não se trata disso. Ver-se pecador ao perceber a proximidade de Deus, que é santo, é perceber nossos equívocos existenciais, nossa inversão de valores que nos empobrece, ainda que nos pensemos ricos. Ao contrário de nos “colocar para baixo”, esse olhar nos impulsiona para cima, para Deus. Ele mesmo nos ajuda nisso! Pois sua presença sempre revelará seu amor, graça e misericórdia. Chegar ao “Ai de mim! Estou perdido!” é, portanto, achar-se, encontrar-se no encontro com Deus. É colocar os pés numa verdade sobre nós sem a qual não saberemos a verdade sobre a vida. É encontrar o lugar de onde poderemos começar e recomeçar, de forma nova, para um outro momento de nossa história. É arrepender-se, se podemos usar essa palavra. Que não significa culpar-se, mas libertar-se. Que não significa atender as demandas da consciência de outros, sejam quem forem, mas nos render ao amor de Deus. E então começar o que só acabará na eternidade: tornar-se pessoa em que Deus, sem possibilidade de desistência, realizará a Sua obra! (Fl 1.6).

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