Sobre o ativismo e a morte do jornalista Paulo Henrique Amorim

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Não acho humano, nem cristão, ficar comemorando a morte de ninguém. Ainda mais por questões políticas. Tem gente usando até uma narrativa espiritual de vingança, como se Deus tivesse permitido a morte de alguém porque é contra o outro. Menos, bem menos, né pessoal? Não podemos perder a humanidade, a ética. Nossos opositores são bons vivos, mortos não teremos opositores. Um lado só não tem graça. Desejar a morte de alguém para eliminar um opositor é radicalismo desumano e anticristão.  Eu já oro para que se arrependa e mude de ideia, pois essa é a vitória sobre nossos “inimigos” políticos, e não a eliminação dos desafetos. Quem gosta de eliminar opositores é o comunismo, Hitler, extremistas ditadores, enfim…

Temos que parar com esse extremismo burro na política; no mundo de gente um pouco civilizada, há respeito pelos familiares dos opositores, mesmo o pior dos bandidos e ativistas que nos odeiam têm uma mãe, um pai, um irmão, filhos, alguém sofrendo. E é esse respeito, essa compreensão que devemos cultivar.

Vamos separar as coisas, o Henrique Amorim foi um grande jornalista, infelizmente, esquerdou e, no final da sua vida, falou muita besteira. Mas foi o que ele decidiu valorizar, ele escolheu um lado, sofreu consequências, claro. Todas as nossas escolhas têm consequências. Não é culpa de sua demissão, a sua morte, nem tão pouco, a brincadeira infeliz que fez com Bolsonaro e o juiz Sergio Moro. Aconteceu. Todos nós teremos nossa hora, por isso temos que cuidar de nossa saúde.

Misticismo? É surreal ver cristão engrossando essa mística narrativa. Morreu porque era sua hora, não se cuidou, trabalhou demais, era ansioso, são tantos motivos. Não foi porque mereceu ou não. Esse julgamento, só Deus tem o poder e o direito de fazer.

Já, eu, prefiro orar pela sua família que está sofrendo sua perda; e tenho a certeza que na família tem gente que não concordava com algumas de suas falas e pensamentos. Mas que importância tem isso diante da morte? Nenhuma! Nunca me esqueci da morte do Airton Senna, quando seu principal opositor foi entrevistado e, chorando, disse: “A Fórmula Um não terá mais graça”. Ele falou aos prantos que iria abandonar as pistas, sabe por quê? A oposição nos impulsiona a lutar, crescemos em meio a essa perseguição, aprendemos com o concorrente. A oposição nos ajuda até mesmo a não repetir erros. O contraditório é muito importante, temos é que aprender a conviver e aproveitar para crescer com ele.

Quando conseguirmos fazer essa avaliação honesta, estaremos prontos para conviver com ideias e pensamentos diferentes com mais humanidade. Tudo tem limites, temos que saber a hora de calar; e esta é a hora. Não temos poder nenhum sobre a morte.

Por Marisa Lobo – Psicóloga, especialista em Direitos Humanos e autora de livros, como “Por que as pessoas Mentem?”, “A Ideologia de Gênero na Educação” e “Famílias em Perigo”.

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