A vontade do Senhor e o outro

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“Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria.” (Romanos 12.4-8)

É comum que pessoas cristãs queiram saber sobre a vontade de Deus. Por isso ensina-se sobre a vontade de Deus nas igrejas. Mas há igrejas cuja teologia faz da vontade de Deus algo que anula completamente a vontade humana. Um exemplo: se você convida uma pessoa dessa igreja para ir à sua casa, mesmo sendo um cristão como ela é, ela irá consultar a Deus para saber se deve ou não ir. Pode parecer um sinal de uma fé grandiosa e elevada. Mas, na verdade, é justamente o contrário. É uma fé que desconsidera o caráter de Deus, que nos criou como seres volitivos, capazes para tomar decisões e cuja vida, jamais pretendeu que fosse vivida num regime de uma dependência infantil. Imagine sua filha ou filho com quarenta anos, já casados e com filhos, ligando diariamente para saber que roupa deve vestir ou se pode tomar sorvete após o almoço! Nós, em nossa limitada sanidade, sabemos que não é assim que deve ser. Por que imaginar que Deus queira esse nível de dependência dele?

Além do mais, a vontade de Deus não é apenas algo que Ele expressa sobre algum fato novo de nossa vida, sobre alguma decisão específica que precisamos tomar. Esse é um aspecto secundário de Sua vontade. O aspecto primário, e do qual depende o secundário, é vontade de Deus como consequência, em decorrência de quem Ele é. Paulo está tratando dessa vontade primária de Deus neste teto! Já vimos que, quanto ao nosso ego, devemos ser equilibrados. O caráter de Deu nos ensina isso. Agora, falando do nosso estilo de vida, Paulo ensina que deve ser naturalmente comunitária, deve incluir o outro, deve considerar o outro. Essa é a vontade de Deus, porque Ele é assim. Jesus nos mostrou isso vindo e revelando-se servo. Somos chamados a seguir Seus passos. A fé cristã é pessoal, precisa ser nossa escolha, mas não é individual. Ela é coletiva, comunitária. Se escolhemos crer, seremos incluídos numa comunidade chamada corpo de Cristo. E como corpo de Cristo deveremos aprender a lidar com pessoas como Cristo: Ele as amou, serviu, buscou-as ao ponto de morrer. Estamos entre estes por quem Jesus morreu.

A vontade de Deus portanto é que nossa vida seja uma dádiva para outros. Não precisamos orar para saber se devemos perdoar quem nos ofende, ou servir às pessoas, ou ser honestos, ou procurar o bem do nosso semelhante… tudo isso e muito mais está presente no caráter de Deus. Deus não quer que mulheres sejam tratadas como pessoas inferiores, ou como objetos. Deus não quer que o direto do desamparado, do pobre, seja negado. Ele não quer que uma pessoa seja agredida, seja ela quem for, independente de sua posição política, de seu time de futebol, de com lida como sua sexualidade ou pelo fato de declarar-se ateu e até escrever ou cantar contra Jesus. Por que afirmo isso? Por causa do caráter de Deus. De quem Ele revela ser em Cristo Jesus. A vontade de Deus é que respeitemos uns aos outros e sirvamos uns aos outros. Que vivamos em cooperação e, pelo menos, em tolerância. Isso é verdade em relação a todas as pessoas. Como igreja então, mais ainda devemos demonstrar amor. E como família, ainda mais! Pois a fé que abraçamos nos envia ao outro para amarmos e para cuidarmos uns dos outros.

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