O que está faltando para entendermos?

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“Chegou-se a Simão Pedro, que lhe disse: ‘Senhor, vais lavar os meus pés?’ Respondeu Jesus: ‘Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá’.” (João 13.6-7)

Apenas Pedro protesta. Todos os outros silenciosamente aceitam a atitude de Jesus. Será que estavam entendendo o que Jesus fazia? Apostaria que não. Mas Pedro era mesmo um sujeito com esse tipo de atitude. Ele falava o que sentia e pensava. Ele se atrevia, se adiantava, ousava. Ele era do tipo que confiava muito em si mesmo e no modo como via as coisas. Cada um de nós tem as suas características. Ele achou completamente impróprio que Jesus lavasse seus pés. Para ele não havia dúvida de que aquela não era uma tarefa para Jesus. Não deveria ser Jesus a pessoa a lavar os pés de todos ali. Mas será que Pedro entendia como algo que ele próprio devesse fazer?

Talvez cada um deles devesse lavar os próprios pés já que não havia nenhum servo (escravo) disponível. E ele até poderia lavar os de Jesus! Mas Jesus se dispôs a lavar os pés de todos eles! Aí já era demais!. Quem sabe não deveria ser Tomé o servo da vez?! Afinal, ele era quem estava sempre com dificuldades para crer! Quem sabe João, que era o discípulo amado?! Ele deveria ter se adiado e pelo menos lavado os pés do Mestre! Talvez Pedro pensasse coisas desse tipo. O fato é que ele não estava entendendo e Jesus sabia disso. A atitude de Jesus o perturbou. Seus conceitos e critérios eram outros e ele precisaria de tempo. Mais tarde entenderia. E nós? O que entendemos da atitude de Jesus? Já se passaram 21 séculos e já lemos inúmeras vezes o texto. O que nos falta ainda para entendermos?

Há muitas coisas que não entendemos pois nos falta visão sobre o quanto Cristo já fez por nós. Falta-nos o constrangimento de olhar para baixo e ver Jesus de joelhos lavando nossos pés. Ainda não entendemos que, simbolicamente, estávamos lá, tendo os pés lavados pelo Mestre. Falamos do que Ele fez mas não temos ideia do que realmente signifique. Por isso persistem em nós o orgulho próprio de quem não entende. Quando revelaremos os frutos de quem entendeu e desconcertou-se com a graça, o amor e a misericórdia de Deus? Quando a humildade de Jesus e sua atitude de servo nos fará entender o equívoco de orientar a vida pela busca de dinheiro, poder e prazer? Quando ambicionaremos o privilégio de imitá-lo, dando mais utilidade à bacia e à toalha? Não podemos ser perfeitos, mas podemos ser mais humildes e servos uns dos outros. O que estamos esperando? O que ainda falta para entendermos?

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