Brasileira cria curso de hebraico online para recém-chegados em Israel

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A professora carioca Miriam Gottlieb Treistman passa os dias fazendo o que mais gosta: ensinando hebraico, língua pela qual se apaixonou desde criança.

Há 12 anos morando em Israel, Miriam criou um curso de hebraico online, o Hebraico Simples, para quem quer aprender do zero, sem sair de casa, a língua da Bíblia.

A ideia saiu do papel depois que Miriam trabalham em uma empresa de aplicativos para ensino de línguas. Foi aí que decidiu juntar seu amor pelo hebraico à tecnologia de ensino online, criando um curso com aulas curtas e objetivas.

“O curso é um curso de vídeo-aulas, ele é 100% online”, explica Miriam. “A pessoa faz a inscrição e recebe acesso a todas as aulas do curso, além das vídeo-aulas, de dez minutos. Quais são as vantagens das vídeo-aulas? São muito mais objetivas. É muito difícil se concentrar por mais de 10 minutos em um vídeo, por mais que ele seja interativo”, explica.

Originalmente, Miriam não pensava em aparecer nos vídeos, mas ela entendeu que a figura de uma professora real, que conversa, didaticamente, era fundamental para criar empatia e atrair a atenção de alunos potenciais. Agora, ela lida com uma comunidade inteira de alunos virtuais. Diariamente, a professora interage com os internautas através de seu site.

“Tenho contato com os alunos através do fórum do curso. Depois de cada aula tem um fórum, onde as pessoas me escrevem e tiram dúvidas”, diz a professora. Segundo ela, as reações são “animadoras”. “Sempre fico muito emocionada, porque me mostra que eu fiz um curso que funciona, que as pessoas aprendem, se emocionam, se apaixonam pelo hebraico e que eu estou no caminho certo.”

Muitos chegam ao país sem falar a língua

O Hebraico Simples criado por Miriam e seus sócios têm como principal público-alvo brasileiros que pretendem ou já tomaram a decisão de se mudar para Israel. Só nos últimos três anos, mais de 2.000 brasileiros optaram por morar em Israel, se somando a outros 12.000 que já viviam no país.

Os brasileiros ainda representam uma comunidade pequena entre os nove milhões de israelenses, mas vem crescendo com o tempo e muita gente chega sem falar uma só palavra da língua local. “Pessoas que querem morar em Israel ou que já moram e não têm hebraico para se comunicar no dia a dia são as mais interessadas. Por isso criamos um curso que ensina coisas muito básicas da língua. Assim elas podem se comunicar no supermercado, no médico, situações que deixam as pessoas bem frustradas quando não sabem a língua”, explica Miriam.

Velho testamento

Há um outro público que Miriam identificou e que demanda um outro tipo de hebraico: o do Velho Testamento, a Bíblia Judaica. Esse grupo quer ler as escrituras em sua língua original, sem influências de traduções para outros idiomas. Não é nada fácil, porque o hebraico bíblico, apesar de usar o mesmo alfabeto e muitas das palavras do moderno, tem uma gramática complicada. Afinal, trata-se de um livro de mais de 2.000 anos de idade.

Para esse grupo, Miriam está prestes a lançar um curso específico, com aulas filmadas nos locais onde as histórias bíblicas se passaram, como Jerusalém, Jafa e Tiberíades. “É um curso que muitos dos nossos alunos vinham pedindo para gente, porque querem aprender hebraico para ler a Bíblia no original, sem influências de nenhuma tradução. Todas as traduções, a gente sabe que sempre carregam, de certa forma, a visão do tradutor”, explica. “Ele tem que definir quais são as palavras que vai usar e quando você lê um texto, qualquer que seja, ainda mais o texto da Bíblia, tão antigo, no seu idioma original, você consegue chegar a significados muito mais profundos, entendendo as palavras”.

Mudar para Israel também não foi nada fácil para Miriam. Ela já sonhava em morar no país, mas também passou pelo conhecido choque cultural da mudança. Mesmo falando hebraico fluente, ela teve que se adaptar aos costumes e ao jeitinho israelense de ser, mas encara tudo isso com muita paciência e boa vontade.

“Na verdade, vejo muito mais coisas parecidas do que diferentes entre o brasileiro e o israelense”, observa Miriam. “O israelense é um povo extremamente caloroso, que convida pessoas para suas casas, é um povo que quer ajudar”, declara. “Podemos falar das dificuldades que os imigrantes passam e do fato do israelense ser um povo bem objetivo e às vezes muito ríspido, grosseiro. Existe esse lado, mas eu consegui me cercar de pessoas que eu acho, são muito legais”.

Fonte: G1

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