Culto no Rodeio

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Os cantores de música gospel emporcalham a autêntica fé cristã. Longe de semear a Palavra de Deus, eles cumprem agendas empresariais para venderem mais e mais, enriquecendo a si próprios e aos seus produtores. Para motivar as vendas e aglutinar públicos, eles cantariam até no Inferno, não para resgatar almas da perdição, mas para fingirem que está tudo bem onde estão. Não importa a vida de quem aplaude, desde que consumam a sua pseudo-arte.

É com essa tristeza que li há pouco que ocorreu um show gospel no rodeio de Barretos, interior de São Paulo. Ali já saculejaram os artistas de música sertaneja, de forró, de aché e de todos os gêneros de entretenimento despudorado. No mesmo palco, sem qualquer distinção entre entretenimento e culto, sem que haja qualquer compromisso por parte dos que assistem, dos que tocam ou dos que cantam, a manchete é que “a diva do mundo gospel abalou”.

Sim. Abala com certeza. Abala a esperança de ver esse moderno mundo gospel produzir alguma coisa que presta. Desde que passaram a copiar a música gospel americana em suas pérfidas mercadorias de consumo, as igrejas perderam e Satanás ganhou. E, com o gostinho brasileiro de fazer festa com sensualidade, as coisas travestem-se de shows quentes e barulhentos.

As igrejas perderam a sua música religiosa, privativa de quem buscava a adoração a Deus. As igrejas perderam os hinos através dos quais propagavam a mensagem de salvação aos pecadores. Perderam os grupos, os conjuntos, os irmãos que formavam seus ministérios de propagação da fé e de salvação de vidas. A música transformou-se em entretenimento. Hoje canta-se “Glória, glória, aleluia” até na zona do meretrício, sem que a prostituição dê lugar à santidade. Não há mais ministérios como Vencedores Por Cristo, Logus, Elo, Novo Alvorecer, Milad, não há mais nada…

Os pastores perderam os seus músicos. Sim, porque músicos cristãos verdadeiros não possuem mais espaço nos cultos. Eles dão lugares aos músicos híbridos, que durante a semana e nas sextas e sábados tocam para os grandes ícones da música popular contemporânea, seja nos estádios, nos ginásios ou nas apresentações especiais, e no domingo, se tiverem agenda, eles tocam durante um período do culto. E não irão ouvir a pregação ou participar da celebração, porque ainda têm compromisso na balada da esquina. Tocam muito bem, só não crêem no que cantam, ou vivem no fio da navalha, coxeando entre dois senhores.

O evangelho perdeu a eficácia. Semelhantemente a um antiácido em pó, que, envelhecido ou úmido, não tem mais efervescência, a mensagem do Senhor banalizou-se a ponto de ser dita por travestis, por chefes do tráfico de drogas que até mestrado em teologia fazem, por gente que defende o aborto e a libertinagem sexual. As editoras bíblicas criam suas versões novas e adulteradas, ao gosto do freguês. E os pastores, em sua maioria, não fazem juízo de valor.

Eu digo que o Reino de Deus perdeu, mas, na verdade, não perdeu. Deus está a passar um prumo pelo Seu povo ainda remanescente na Terra. Esse prumo está provocando a distinção entre os que são dEle e os que são de Satanás. A verdadeira música cristã não está nos palcos de entretenimento, mas na alma de quem, com fé e santificação, apresenta a Deus a confissão de que Jesus Cristo é o Senhor. Não está na fama dos endinheirados cantores gospel, mas, não raras vezes, no pobrezinho que glorifica ao Senhor com hinos cuja letra e música não foram banalizados pela permissividade. Está nos cultos que colocam Jesus Cristo como Senhor e que não provocam aplausos, mas dedicação e consagração. Como é diferente cultuar a Deus em uma igreja que não está alinhada com o falso evangelho! E como há poucas assim hoje em dia!

Os pastores são os responsáveis pela liturgia de seus cultos. Se forem coniventes com o pecado, se aceitarem qualquer fogo estranho no altar do culto (que não é a plataforma, mas o espírito com o qual se presta a adoração) saberemos que mais uma igreja apóstata foi edificada. Se, contudo, o pastor primar pela distinção entre o sacro e o profano, entre o santo e o contaminado, entre o que é bíblico e o que não é, certamente agradará a Deus, ainda que desagrade até a sua denominação corrompida. Ele sabe que terá críticas e auditórios diminutos, mas povoará o Céu e receberá um “bem-vindo” do Senhor Jesus, o supremo pastor de nossas almas.

Até a volta do Senhor assistiremos muitos rodeios com espetáculos gospel para o entretenimento de quem não tem compromisso com Jesus. E os incautos ainda dirão: “glória a Deus!”, “Aleluia”, “Vitória do Evangelho”. Os santos dirão: “Senhor, derribaram os Teus altares”, “Tem misericórdia” e “Ora vem, Senhor Jesus!”

Continuemos na senda do Calvário, sem olhar para o atalho da libertinagem gospel. Só pela cruz chegaremos ao Céu.

Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba – São Paulo
Colaborador deste Portal

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