Mídia que desinforma

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Você já percebeu que tudo o que o presidente Bolsonaro fala ganha dimensões estratosféricas, desde que possa ser distorcido pela mídia que atua contra?

Recentemente, o presidente declarou e a “grande” mídia estampou em letras garrafais a seguinte manchete: “Bolsonaro fala em acabar com taxa para igrejas e descomplicar prestação de contas”.

Viram? Cadê o filtro? Tudo bem que não se pode confiar em imprensa leiga, mas essa imprensa tem que apurar os fatos para não cair no erro de prestar um desserviço à sociedade. Ainda que a imprensa seja leiga e tenha por objetivo fornecer informações relevantes, a melhor orientação está nas mãos de profissionais do Direito e também da Contabilidade, que interpreta o texto legal para assessora aos seus clientes.

Mas, vamos à verdade dos fatos: Intempestivo diante de um batalhão de repórteres ávidos por mais uma declaração bombástica, o presidente declarou dentre outras coisas: “ Tem uma dúvida muito grande da Constituição quando fala de isenção de impostos. Então esse assunto vem sendo discutido com vários setores da sociedade. Outros setores também. Essa que é a intenção nossa, é discutir esse assunto. E se chegarmos à conclusão que tem amparo legal para você acabar com alguma taxa, então acaba – disse Bolsonaro pela manhã, em entrevista a jornalistas na saída do Palácio do Alvorada. Agora uma coisa importante também é descomplicar. Não pode cada igreja ter que ter um contador, ninguém aguenta isso – acrescentou o presidente, que disse não querer “taxar mais ninguém. Ao ser questionado se pretende “facilitar a vida dos pastores”, assim como disse que quer fazer com empregadores, ele afirmou que tem a intenção de “fazer justiça com os pastores, com os padres, nessa questão tributária”.

Na ocasião, declarou que pretende fazer um estudo para acabar com impostos para igrejas e defendeu que o processo de prestação de contas das organizações religiosas seja descomplicado. Contudo, frisou que mantém em nível de estudo quaisquer eventuais modificações sob o ponto de vista tributário.

Os dias que se seguiram davam conta que pastores e padres já estão isentos do imposto de renda. Não estão. Há um ritual a ser seguido.

A prevalecer a declaração do presidente e a interpretação dada por alguns segmentos da mídia, as organizações religiosas transformar-se-ão em verdadeiras “desorganizações religiosas” com direito a desmandos, lavagem de dinheiro e toda sorte de balbúrdia.

Estou certo que este não é o melhor para um país já tão decadente. Prefiro viver para ver o que será modificado, de acordo a lei.

Jonatas Nascimento, diácono; especialista em Contabilidade Eclesiástica; Autor do Livro “Cartilha da Igreja Legal”

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