Aprender de Jesus

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“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.” (Mateus 11.29-30)

Jesus nos convida: venham a mim. Devemos dizer que vamos, e ir. A fé cristã envolve as duas coisas: decisão e ação. Venham a mim. Ir é tanto decisão quanto ação. E se realmente formos, Ele  nos dará descanso. Seu convite também inclui mais decisões e ações. Ele disse que devemos tomar sobre nós o meu jugo e aprender dele. Parece-me que isso significa submissão à sua autoridade e obediência à sua vontade. Significa reconhecer o seu lugar como Senhor e Mestre em nossas vidas e procurar viver o que Ele nos ensina. Em nossa prática religiosa corremos um sério risco: o de substituir a atitude existencial de ter Jesus como nosso Senhor pelo hábito de cantar e dizer que Ele é Senhor. Essa falta de conexão entre a liturgia religiosa e a vida não é algo incomum. Nem sempre a beleza e espiritualidade de nossas orações e canções aparecem em nosso modo de viver. Tomar sobre nós o julgo de Jesus diz respeito ao modo como vivemos. Participar de uma liturgia cristã não é substituto para a necessidade de vivermos como cristãos. Mas sabemos mais sobre liturgia do que sobre vida!

Jesus nos chamou para aprender dele. Quais seriam as características de uma pessoa que está aprendendo de Jesus? Como ela trataria os demais? Que tipo de pai, marido, amigo, patrão, empregado… etc. seremos sob a influência de quem Jesus é? Aprender “de”  Jesus não é o mesmo que aprender “sobre” Jesus. Aprender “sobre” é obter informação, é conhecer os fatos e mesmo detalhes sobre quem Ele é, fez e disse. Aprender “de” Jesus é receber influência e passar a agir em conformidade com o coração de Jesus. Quais os sinais, as evidências, de que temos aprendido “de” Jesus? Que temos aprendido “sobre” Jesus é fácil constatar. Sabemos o bastante para escrever pelo menos um bom artigo! Mas a demonstração do nosso aprendizado “de” Jesus revela-se nos nossos relacionamentos, no amor, graça, bondade e misericórdia, por exemplo, que revelamos no nosso modo de falar e tratar com as pessoas. Especialmente no valor que damos a elas. Pois Jesus veio ao mundo para revelar o amor e cuidado de Deus pelas pessoas (Jo 3.16-17). Talvez seja essa uma das diferenças entre religiosidade cristã e espiritualidade cristã. É uma questão de “sobre” e “de”.  

Temo que estejamos sendo mais religiosos do que espiritualmente cristãos. Temos muita informação sobre o Evangelho, mas nosso testemunho é fraco, pobre e vazio. Por isso somos tantas igrejas (o número de evangélicos segue crescendo nas pesquisas em nosso país), mas não sentimos o reflexo disso na vida de nossas cidades. Houve tempo em que praticamente não tínhamos evangélicos no cenário político. Hoje já temos até uma bancada evangélica. Ela nos orgulha e honra a Deus ou nos envergonha e difama o Bom Nome? Claro está que precisamos ir a Jesus e aprender dele. Não sabemos amar, servir ou cuidar. Entendemos pouco da vida e de pessoas, mas orgulhosamente pensamos que entendemos muito de Jesus. Somos viciados em nossas tradições e costumes, ao ponto de não conseguirmos avaliá-las ao ler o Evangelho. Assumimos que são o Evangelho! Feliz a nação cujos cristãos prezam mais pela vida do que pelas tradições e são, de fato, mais cristãos do que religiosos. Somente assim essa nação terá a chance de ter a Deus como seu Senhor! (Sl 144.15)

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