Pastores cansados podem encontrar o descanso

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É sabido que há muitos pastores cansados, sobrecarregados de aborrecimentos de membros de igrejas viciados, desobedientes, rebeldes, legalistas, ressentidos, raivosos ou irados, implicantes, sem afeição, sem amor, implacáveis, e acometidos de uma cardiopatia congênita (o coração do homem desde o Éden está doente, sendo enganoso e desesperadamente corrupto, Jeremias 17.9,10).  Há muitos membros de igreja insubmissos a autoridade do ministério. Há um sem número de pastores desejando jogar a toalha, fazer outra coisa no Reino de Deus, decepcionados com pessoas e líderes dissimulados. Alguns entram em depressão profunda. Outros, perdem a paciência e chutam o pau da barraca. Há aqueles que não aguentam mais a partir de um sofrimento atroz. O ministério se tornou algo enfadonho em função de não-resultado na vida das pessoas. Os pastores estão cansados de tanto mundanismo na comunidade religiosa, estressados ao perceberem claramente tanta gente sem compromisso, olhando para o seu próprio umbigo, estéril, infrutífera e com um péssimo testemunho.

Há muitos pastores que estão cansados de religião e desejando o frescor do Evangelho. Extenuados com a frieza espiritual dos membros da igreja. Não aguentam mais a rotina de um ministério sem fruto, que se tornou cansativo, enfadonho. Não estão suportando a linguagem religiosa farisaica dentro da igreja. Percebem muita retórica, mas pouca vida. Muito cântico sem vida, sem expressão e sem graça. Tristes quando percebem poucos trabalharem com prazer no Reino de Deus. Obreiros angustiados com a condição da igreja. Desestimulados por constatarem tanto tradicionalismo e inércia. Extenuados ao verem o crescimento do liberalismo ou da frouxidão ética, moral, ou relativismo ético.  Ao perceberem claramente os relacionamentos superficiais, interesseiros e conflitantes. A igreja não reage e não tem um estilo de vida no mundo que faça a diferença. Ela tem experimentado a mesmice. Não tem vivido os princípios do Senhor Jesus, da Igreja Primitiva.

Como há pastores cansados e sobrecarregados! Pesados na sua condição de solidão e, muitas vezes, de ostracismo, de isolamento. Quantos companheiros de jugo que vivem no ativismo e se esquecem da família, perdendo-a posteriormente. Que faz tudo na igreja. Não descentraliza. Não treina líderes. Ministros que pararam no tempo. Não participam de congressos (faltam muitas vezes os recursos), encontros de pastores e não priorizam a oração e o estudo das Escrituras. Não ministram diante de Deus. Não leem livros. Não se atualizam. Não buscam conselho com os mais experientes (a mentoria tão necessária e urgente). Vivem no seu mundo ensimesmados e estagnados. Não têm forças (e às vezes não têm humildade) para buscarem ajuda. Pastores trancados no seu mundo, alienados em sua comunidade. Não olham para fora. Não vislumbram oportunidades. Não buscam o conhecimento. Não perseguem a excelência, de que o bom é inimigo do ótimo.

Pastores cansados, desestruturados e ofegantes. Homens pálidos, sem vigor e sem entusiasmo. Não têm vontade de pensar, de prospectarem novas ideias. Não vibram. Estão contidos em seu estilo de vida acanhado. Sim, pastores acomodados, indiferentes aos desafios deste século. Mas há como sair desse cansaço. Como sair do marasmo, da falta de criatividade e da exaustão. É necessário romper com a acomodação doentia. Deixar o círculo vicioso. Dizer não aos patrocinadores do caos. Aos que vivem na incredulidade mesmo dentro da igreja de Jesus, pois temos o joio e o peixe ruim (Mateus 13). Estes membros de igreja trabalham contra um ministério virtuoso do Espírito Santo.

A solução para sair da mesmice, acomodação, e até da vitimização é descansar naquele que tudo pode (Cf. Filipenses 4.13; Salmos 37.7). É atender o convite de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” Cf. Mateus 11.28-30). É o Senhor quem faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Isaías 40.29-31. Os pastores cansados encontram o descanso na Pessoa e Obra de Cristo. Devem aprender dEle, que é manso e humilde de coração (Mateus 11.29). Podem se aquietar e saber quem é o Senhor (Salmo 46.10). Que recebem a palavra de Jesus: “A minha graça basta para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza (a graça não se opõe ao esforço, mas ao mérito, Dallas Willard) (2 Coríntios 12.9,10). É preciso reconhecer o cansaço e buscar em Cristo Jesus a renovação das forças. Buscar no Espírito a visão mais ampla e aprofundada do Reino de Deus. É preciso aprender com Cristo a orar, depender do Pai, fazer sempre o bem, servir em profundo amor e ter compaixão do povo. Cuidar do corpo, da família, das prioridades da vida. Os pastores cansados precisam viver pela fé na suficiência de Cristo Jesus, nosso Pastor Supremo, que fez toda a vontade do Pai. Vale muito a pena refletirmos em 1 Pedro 5.1-4.

Em seu livro “Pastores Ameaçados”, H. B. London e Neil Wiseman, citam um estudo que focaliza uma pesquisa na qual 70% dos pastores entrevistados disseram não saber se permanecerão no ministério. A conclusão: “Os pastores sentem-se sem ânimo, e frequentemente ultrajados”.

Certo amigo, diz David Fisher, me relatou que abandonará o pastorado. Embora ame o ministério, ele se cansou de lidar com as mesquinharias que caracterizam a vida da igreja. Outro deixou as atividades pastorais porque, segundo suas palavras, “não aguentava mais a pressão”. Por que tantos de nós começamos tão esperançosos e sonhadores e acabamos exaustos e desanimados?

Fisher diz: “Uma compreensão bíblica e apostólica é e estrutura adequada para o ministério pastoral em tempos como estes e é o amago de uma teologia para os dias atuais”. [1]

Os pastores cansados encontram o descanso no Pastor Supremo, Bispo das nossas almas. Precisamos de algumas resoluções para um avivamento pessoal (que, creio, seja um descanso precioso), segundo Jim Elliff:

  1. Que nos arrependamos de todo o pecado, pois o Senhor repreende e disciplina a quantos ama. Sejamos zelosos e nos arrependamos, Apocalipse 3.19.
  2. Que abandonemos todos os hábitos e atividades questionáveis, pois tudo o que não provém de fé é pecado, Romanos 14.23b.
  3. Que corrijamos os erros que existem entre nós e os nossos irmãos, pois o Senhor Jesus nos ensina que, antes de oferecermos nossas ofertas, que nos reconciliemos com o próximo, Mateus 5.23,24.
  4. Que mantenhamos comunhão com Deus, por meio da oração e da meditação da Palavra de Deus, pois devemos orar: vivifica-me, Senhor, segundo a tua Palavra, Salmos 119.107b e orai sem cessar, 1 Tessalonicenses 5.17.
  5. Que confiemos em Deus para nos usar como instrumentos na vida de outras pessoas, Tiago 5.19,20.

EM TODAS AS OCASIÕES, EVITEMOS O ORGULHO ESPIRITUAL.

  1. W. Tozer tem um trabalho muito interessante sobre: Os Cinco Votos para o Poder Espiritual (e que remodela nossas vidas, famílias e ministérios):
  2. Trate seriamente com o pecado;
  3. Não seja dono de coisa alguma;
  4. Nunca se defenda;
  5. Nunca passe adiante algo que prejudique alguém;
  6. Nunca aceite qualquer glória.

Aprecio muito as dez declarações sobre o ministério de Warren e David Wiersbe, inclusive oro para que elas sejam a cada dia reais em meu ministério ou no ministério que recebi do Senhor por Sua graça e misericórdia:

  1. O fundamento do ministério é o caráter
  2. A natureza do ministério é o serviço
  3. O motivo do ministério é o amor
  4. A medida do ministério é o sacrifício
  5. A autoridade do ministério é a submissão
  6. O propósito do ministério é a glória de Deus
  7. As ferramentas do ministério são a Palavra de Deus e a oração
  8. O privilégio do ministério é o crescimento
  9. O poder do ministério é o Espírito Santo.
  10. O modelo do ministério é Jesus Cristo.

Jonathan Edwards declarou: “Considere a Cristo como um remédio para as suas aflições. Você não precisa de asas de pomba para voar a um refúgio distante e descansar, pois Cristo está bem perto.

Não é mister realizar prodígios para obter esse descanso. O caminho está desimpedido. Basta vir a Cristo; é suficiente sentar-se à sombra DELE, a “grande rocha em terra sedenta” (Isaías 32.2) […] Há em Cristo descanso e doce refrigério para aqueles que estão cansados de perseguições […] Em Cristo há provisão para a satisfação e pleno contentamento das almas sedentas e necessitadas. Cristo é “como ribeiros de águas em lugares secos (Isaías 32.2) ou em deserto ressequido, onde há grande escassez de água e os viajantes morrem de sede.

Cristo é o Rio de águas, pois há NELE uma plenitude tal, uma provisão tão abundante, que satisfaz a alma mais necessitada e ansiosa. Cristo é suficiente não só para uma alma sedenta, mas também é a fonte que nunca seca, sem importar quantos venham a Ele. Um homem sedento não esgota esse rio, ao saciar NELE continuamente a sua sede (João 4.14). Nada temos a fazer, além de descansar NELE calmamente. Aquiete-se e veja o que o Senhor Jesus fará por você.

Gostaria de sugerir uma profunda reflexão à luz de 2 Coríntios 6.4-10.

O nosso cansaço encontra o descanso em Cristo Jesus quando temos a convicção de que morremos e ressuscitamos com Ele para vivermos a Sua vida de forma pessoal e coletiva no ministério que recebemos apenas por graça e misericórdia para a Glória de Deus Pai.

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob


[1] FISHER, David. O Pastor do Século 21. São Paulo: Editora Vida, 2012, 5ª. Reimpressão, pp.5-11.

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