O jugo, o livro e a pessoa

0
69

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.” (Mateus 11.29-30)

O convite de Jesus envolve não apenas nossa capacidade de responder com a voz, mas, e especialmente, nossa capacidade de responder com a vida, com as atitudes. Se os lábios dizem “sim” e as atitudes dizem “não”, são estas que prevalecem. As atitudes sempre redefinem as palavras (Mt 21.28-31). Por isso devemos abandonar o lugar de quem está sempre falando mas vive descuidado das próprias atitudes. Podemos chegar ao ponto de não perceber a incoerência que está à vista de todos. Tomar o jugo de Jesus, como sabemos, é colocar-se debaixo de Sua autoridade. Temos feito isso? Às vezes pensamos que sim, mas, na verdade, não estamos. A propósito disso, vale a pena, avaliarmos um tipo de equivoco é bem comum. Refiro-me a nossa relação com Jesus e o modo como lemos, compreendemos e lidamos com a Bíblia. Às vezes agimos mais como seguidores de um livro do que de uma pessoa. No caso de Jesus e a Bíblia pode parecer a mesma coisa, mas muitas vezes não é!

Um dos problemas é o modo como lemos e lidamos com as verdades que encontramos na Bíblia. Podemos trata-as como normas regulatórias da vida, perdendo de vista o caráter de Revelação, que nos envia a elucidar a vida. Que nos instiga a compreender a existência à luz da presença e do amor de Deus. Jesus é a verdade. A verdade que Ele é equivale e é definida pelas verdades que nos parecem claras nas Escrituras? Ou as verdades das Escrituras devem ser definidas por Aquele que é a Verdade? E dependendo de como lemos e entendemos as Escrituras, as verdades que encontramos podem contradizer a Verdade que Jesus é. Outro ponto está no modo como usamos as Escrituras. Jesus diz que é humilde e manso, mas há quem, com a Bíblia nas mãos, seja o oposto disso. E com base na Bíblia, justificados pela consciência que tem a respeito do significado do Evangelho. Jesus sempre olhava além das aparências. Ele conhecia o coração. Nós, sem conhecer, simplificamos, julgamos, condenamos e apedrejamos. Esquecendo-nos até mesmo dos nossos próprios pecados. O amor deveria nos fazer misericordiosos, e em última instância, pelo menos o fato de sermos carentes de misericórdia, deveria nos fazer misericordiosos. Mas ignoramos isso! 

Quando revelamos um coração frio e um discurso duro contra as pessoas, não estamos sob o jugo de Jesus. Como seguidores de Jesus devemos nos arriscar mais na aceitação e na tolerância para com o próximo. Como seguidores de Jesus devemos corajosamente fazer valer mais os caminhos do amor. Isso não significa não observar valores, não pensar em categorias de certo e errado. Mas fazer tudo isso com pelo menos a maturidade humana de saber que a vida é complexa e que não detemos toda a verdade. E tendo também a sabedoria divina de não aplicar a outros medidas que não gostaríamos que fossem aplicadas a nós (Mt 7.7). Seguindo a Jesus sermos levados a compreender a Bíblia e a amar nosso próximo. Seguir a Jesus não nos fará guerreiros, mas reconciliadores. Todos corremos o risco de nos perder de Jesus na relação com a Bíblia. Jesus nos convida a tomar sobre nós o Seu jugo. Quais as características predominantes em quem está sob esse jugo? Que seguindo a Jesus a Bíblia se torne fonte de vida para nós e para os outros, e não uma arma que apontamos uns contra os outros!

Compartilhar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.