Graça: começo, meio e fim! – Parte 3

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“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9)

São muitos os problemas, quando vivemos uma religiosidade desencontrada da Graça. E esse desencontro é traiçoeiro. Desencontrar-nos da graça, e acreditando que estamos nos mantendo nela, é um grande perigo! Não nos desviamos porque a desprezamos, mas porque pretendemos valorizá-la com nossos esforços e dedicação. Negamos a Graça movidos pelo desejo de merece-la. Essa atitude é bem nossa! Como já sabemos, desviar-se do serviço a Deus, da vida com Deus, servindo a Deus, é possível. Acontece o mesmo com a Graça. E talvez seja mais comum desvios assim do que pensemos. Certamente são desvios de um tipo bem difícil de serem percebidos. É a ideia do “falso-positivo”! É um erro que parece acerto! Porém, há evidências de que estamos com problemas. Só precisamos ter olhos abertos. Como disse Jesus, os frutos revelam a árvore (Mt 7.17-18), assim como os comportamentos revelam as ideias e a pessoa que revelamos ser, os amigos com quem andamos. Se nos desviamos da Graça, haverá consequências. Usarmos critérios equivocados e os frutos, definitivamente, não serão os da Graça (Gl 5.22-23). 

Desencontrados da graça seremos levados a dicotomizar a vida. Reconheceremos o que há de sagrado na religião e seremos míopes, senão cegos, para a beleza e sacralidade da vida. A santidade terá mais de contenção do que de transformação. Tornaremos muito bons em não fazer algumas coisas, mas não tão bons em ser amorosos, humildes e servos. De alguma forma e lentamente, seremos levados a nos tornar reféns do medo de castigos em lugar de livres para vivermos como filhos amados de Deus. Faltará a nós a beleza de quem age inspirado por amor e gratidão. Muito tempo depois de envolvidos e fazendo as coisas da nossa religião, ainda seremos as mesmas pessoas de antes. Talvez acumulemos sucesso sobre certas tentações, mas ainda teremos o mesmo coração, cheio das coisas que negamos, mas que estão lá! Ainda nos esqueceremos de que só quem não tem pecados pode atirar a primeira pedra, e nos veremos entre o grupo dos que seguram firmemente algumas. Podemos ser excelentes religiosos e ainda assim, estarmos desencontrados da Graça! Que perigo! A religião pode até nos envernizar, dando alguma beleza por fora, mas só a Graça nos leva a uma beleza que começa e vem de dentro.

Precisamos voltar e nos acostumar com a Graça que tanto estranhamos. Será que não percebemos que montamos um teatro e nos acostumamos a encenar farsas que consomem tempo, dinheiro e multiplicam hipocrisias dentro de nós?! Não parecemos que estamos corrompendo a imagem de Deus, sendo discípulos que muito pouco lembram o Mestre?! Será que não estamos lendo a Bíblia, mas deixando de ir a Jesus, como Ele mesmo disse que acontecia com os religiosos judeus? (Jo 5.39-40) Se nos desviarmos da Graça pelo caminho da religião, nos faltará vida de verdade. Só teremos regras! Também nos faltará adoração para celebrar, pois só teremos liturgia. Faltará conteúdo que produz testemunho, pois só teremos aparência. Será que não percebemos que pode haver algo errado, visto que somos tantos, mas é a injustiça quem tem a palavra nas ruas onde estão os nossos templos? A Graça escreve outra história. O que ela realiza nos torna agentes do Reino. Reino que, onde chega, causa mudanças, traz dignidade, estabelece a justiça e a paz. Precisamos ouvir de novo a voz do Evangelho: “Pela Graça…”. Ela é o começo, o meio e o fim da jornada cristã.

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